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Re: Diário : John

em 1/12/2018, 07:24
Olá John,
Realmente o inicio do reboot é a parte mais dificil para a maioria dos viciados em PMO, cada um já desenvolveu a sua rotina de praticar PMO e a mente já está acostumada com essa rotina, então é hora de vc quebrar essa rotina e iniciar um caminho de recuperação do vicio... estabeleça metas parciais (de 4 dias por exemplo) e vá aumentando as suas metas a medida que vc conseguir completar a meta anterior, o que vai te ajudar nesse momento inicial são as atividades de religação, quanto mais coisas novas vc acrescentar na sua rotina menos tempo sobrará para a sua mente focar em PMO... atividades fisicas (eu sou adepto de caminhadas) são excelentes pois além de desviarem a atenção da mente em PMO libera dopamina, que é o que a sua mente está sentindo falta no momento pois está acostumada a altas doses de dopamina através de PMO... Leituras, ouvir musicas novas, e todo tipo de atividade extranet são positivas nesse momento, e lembre-se que o inicio do reboot é dificil e requer todo o esforço que vc conseguir, por isso use todas as estrategias ao seu alcance para se abster de ver P e praticar PMO, esse é o momento da desintoxicação e por isso é preciso se dedicar com afinco para conseguir dar continuidade no reboot... E instale bloqueadores, eles vão te ajudar muito nesse momento.
Torço por você, continue com o seu diario e força no seu reboot.
Abraços.

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Re: Diário : John

em 1/12/2018, 14:31
Verdade Nino,

Eu passo geralmente muito tempo no computador.
É lá que vejo P, então decidi diminuir meu tempo nele, consideravelmente. É fácil demais ver P quando você está a poucos cliques de distância.
O grande problema dos bloqueadores é que eles não bloqueiam só pornografia, mas muitos sites. Principalmente os de download. Isso acaba dificultando minha vida depois.
Eu penso que sempre vai haver uma forma de ver P desde que o cara realmente queira. Não sei se os bloqueadores seriam tão eficazes.
Eu pratico exercícios todos os dias. Faço musculação e também corro. Estou tentando ler mais, gastar mais tempo com isso. Na verdade, como disse, preciso procurar coisas pra fazer longe do computador.
A questão das metas é algo que vou inserir agora. Tinha esquecido disso, obrigado.
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Re: Diário : John

em 1/12/2018, 14:47
john_93 escreveu:Verdade Nino,

Eu passo geralmente muito tempo no computador.
É lá que vejo P, então decidi diminuir meu tempo nele, consideravelmente. É fácil demais ver P quando você está a poucos cliques de distância.
O grande problema dos bloqueadores é que eles não bloqueiam só pornografia, mas muitos sites. Principalmente os de download. Isso acaba dificultando minha vida depois.
Eu penso que sempre vai haver uma forma de ver P desde que o cara realmente queira. Não sei se os bloqueadores seriam tão eficazes.
Eu pratico exercícios todos os dias. Faço musculação e também corro. Estou tentando ler mais, gastar mais tempo com isso. Na verdade, como disse, preciso procurar coisas pra fazer longe do computador.
A questão das metas é algo que vou inserir agora. Tinha esquecido disso, obrigado.

Você faz faculdade? É formado? Poderia se engajar em atividades acadêmicas, você trabalha? Tudo isso tem que ser levado em conta.
Eu trabalho o dia inteiro e a noite vou pra facul, chego em casa muito cansado pra pensar em PMO e vou diretor dormir. Internet pra mim não é um problemão, até porque quando eu realmente quero eu dou um jeito. O legal é mudar a mentalidade e pensar em PMO como algo que te prejudica, daí seu corpo se acostuma a não buscá-lo mais. Além disso tem alguém pra se relacionar e aliviar é de grande ajuda.

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Visite meu diário e me ajude a vencer!

http://www.comoparar.com/t6668-reboot-marcos

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Re: Diário : John

em 1/12/2018, 14:55
marcosbanc escreveu:
john_93 escreveu:Verdade Nino,

Eu passo geralmente muito tempo no computador.
É lá que vejo P, então decidi diminuir meu tempo nele, consideravelmente. É fácil demais ver P quando você está a poucos cliques de distância.
O grande problema dos bloqueadores é que eles não bloqueiam só pornografia, mas muitos sites. Principalmente os de download. Isso acaba dificultando minha vida depois.
Eu penso que sempre vai haver uma forma de ver P desde que o cara realmente queira. Não sei se os bloqueadores seriam tão eficazes.
Eu pratico exercícios todos os dias. Faço musculação e também corro. Estou tentando ler mais, gastar mais tempo com isso. Na verdade, como disse, preciso procurar coisas pra fazer longe do computador.
A questão das metas é algo que vou inserir agora. Tinha esquecido disso, obrigado.

Você faz faculdade? É formado? Poderia se engajar em atividades acadêmicas, você trabalha? Tudo isso tem que ser levado em conta.
Eu trabalho o dia inteiro e a noite vou pra facul, chego em casa muito cansado pra pensar em PMO e vou diretor dormir. Internet pra mim não é um problemão, até porque quando eu realmente quero eu dou um jeito. O legal é mudar a mentalidade e pensar em PMO como algo que te prejudica, daí seu corpo se acostuma a não buscá-lo mais. Além disso tem alguém pra se relacionar e aliviar é de grande ajuda.

Marcos,

Eu estudo sim. Estou no ano final da minha graduação em eng..
Ultimamente tenho passado mais tempo em casa porque tenho bastado tempo no meu TCC, que exige uma quantidade considerável de pesquisa.
Aí estou em um momento complicado, preciso me dedicar a isso etodas as vezes em que estou muito cansado ou tentando superar algo difícil, meu vício em PMO dispara.
Atualmente tenho ficado com outro cara, mas nada muito sério. Não nos vemos com muita regularidade.
Pensar em PMO como algo ruim, como realmente é, é uma dica boa.
Acho que com o tempo deve ser efetivo.
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Re: Diário : John

em 2/12/2018, 15:53
john_93 escreveu:
marcosbanc escreveu:
john_93 escreveu:Verdade Nino,

Eu passo geralmente muito tempo no computador.
É lá que vejo P, então decidi diminuir meu tempo nele, consideravelmente. É fácil demais ver P quando você está a poucos cliques de distância.
O grande problema dos bloqueadores é que eles não bloqueiam só pornografia, mas muitos sites. Principalmente os de download. Isso acaba dificultando minha vida depois.
Eu penso que sempre vai haver uma forma de ver P desde que o cara realmente queira. Não sei se os bloqueadores seriam tão eficazes.
Eu pratico exercícios todos os dias. Faço musculação e também corro. Estou tentando ler mais, gastar mais tempo com isso. Na verdade, como disse, preciso procurar coisas pra fazer longe do computador.
A questão das metas é algo que vou inserir agora. Tinha esquecido disso, obrigado.

Você faz faculdade? É formado? Poderia se engajar em atividades acadêmicas, você trabalha? Tudo isso tem que ser levado em conta.
Eu trabalho o dia inteiro e a noite vou pra facul, chego em casa muito cansado pra pensar em PMO e vou diretor dormir. Internet pra mim não é um problemão, até porque quando eu realmente quero eu dou um jeito. O legal é mudar a mentalidade e pensar em PMO como algo que te prejudica, daí seu corpo se acostuma a não buscá-lo mais. Além disso tem alguém pra se relacionar e aliviar é de grande ajuda.

Marcos,

Eu estudo sim. Estou no ano final da minha graduação em eng..
Ultimamente tenho passado mais tempo em casa porque tenho bastado tempo no meu TCC, que exige uma quantidade considerável de pesquisa.
Aí estou em um momento complicado, preciso me dedicar a isso etodas as vezes em que estou muito cansado ou tentando superar algo difícil, meu vício em PMO dispara.
Atualmente tenho ficado com outro cara, mas nada muito sério. Não nos vemos com muita regularidade.
Pensar em PMO como algo ruim, como realmente é, é uma dica boa.
Acho que com o tempo deve ser efetivo.

Oi John
Pq vc desfez o contador? Vc nao tinha um?
Está há quantos dias?
Abraços

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Re: Diário : John

em 3/12/2018, 01:27
Boa noite pessoal,

Respondendo ao Nino, sobre o contador.
É que eu estou usando o celular para entrar no fórum, cara.
Então ainda não encontrei uma forma efetiva de inserir ele nas minhas mensagens. Vou tirar um tempo pra organizar isso.

Sobre hoje:
Na noite do sábado para o domingo estive com o rapaz com quem estou ficando. Dormi no AP dele, passamos bons momentos juntos. Sobre sexo, ficamos apenas nas carícias, sem penetração. É a terceira vez que nos encontramos mais intimamente, e há um certo problema. Apesar de eu ter ereção, não consigo obter O, mesmo estando com muito tesão. O estímulo humano é realmente totalmente diferente da P. Então para mim tá sendo um processo de adaptação mais lento do que imaginava. Apesar de não ter tido O, foi muito bom. Percebi que eu realmente necessito de contato humano, íntimo, de carinho e afeto. Coisa que há anos não tenho por causa do meu problema em me relacionar com garotas, enquanto na igreja.
No domingo acordei tarde, porque dormi muito tarde. E no final das contas não fiz muita coisa, tive mal estar o dia todo por algo que comi no sábado. Então à tarde eu dormi mais e no fim dela saí com meus amigos para comer alguma coisa e conversar, e depois fomos assistir um filme. Foi uma boa noite, cheguei em casa agora.
Percebo que minha vontade de PMO é mais intensa quando eu fico com o notebook ligado, em coisas aleatórias. Então nesses dias diminui meu contato com ele, o usando aos as quando realmente necessário. Eu percebi que passava o dia todo no youtube vendo vários vídeos de entretenimento que acabavam consumindo meu tempo absurdamente.
Eu tenho apenas esse mês para finalizar uma pesquisa da qual sou bolsista e ainda faltam muitas coisas. Essas duas últimas semanas foram terríveis porque eu caí em PMO intenso e fiquei totalmente perdido. Quando eu me sinto assim, não consigo me concentrar em nada. Praticamente não sinto nem vontade de viver.
O pensamento sobre associar PMO com o algo que me traz malefícios tem se mostrado muito importante em alguns momentos. Assim, eu deixo um pouco o engano do meu cérebro viciado, deixando claro a verdadeira natureza do vício.
Agora vou dormir.
Desejo uma ótima noite a todos.
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Re: Diário : John

em 3/12/2018, 09:21
Fala John! A tempos venho querendo relatar alguma coisa aqui no seu diário, mas acabava me enrolando e não fazia.

Em primeiro lugar, é impressionante como sua história é parecidissima com a minha em vários aspectos. A igreja, a sexualidade reprimida, o vício e por aí vai. Muita gente aqui do fórum tem este mesmo perfil.

No meu caso, tenho refletido muito sobre minha permanência ou não na igreja neste próximo ano por vários motivos que explicitei no meu diário. Me abster do vício em PMO será o primeiro passo pra essa mudança e espero que você também consiga.

Sobre o sexo, realmente, é uma diferença abismal entre PMO e uma relação sexual. São universos completamente diferentes e assim como você, minha primeira relação sexual depois de adulto, já viciado, foi frustrante. Não teve orgasmo e nem ereção satisfatória. Somente no início deste ano que pude realmente fazer sexo de verdade. A coisa melhora com o tempo e o importante é jamais desistir mesmo que haja recaída e a mente diga pra nós desistirmos.

Mantenha o foco e tenha consciência de que os benefícios são reais e havendo perseverança eles são sentidos. Boa sorte!

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Re: Diário : John

em 3/12/2018, 12:26
psico escreveu:Fala John! A tempos venho querendo relatar alguma coisa aqui no seu diário, mas acabava me enrolando e não fazia.

Em primeiro lugar, é impressionante como sua história é parecidissima com a minha em vários aspectos. A igreja, a sexualidade reprimida, o vício e por aí vai. Muita gente aqui do fórum tem este mesmo perfil.

No meu caso, tenho refletido muito sobre minha permanência ou não na igreja neste próximo ano por vários motivos que explicitei no meu diário. Me abster do vício em PMO será o primeiro passo pra essa mudança e espero que você também consiga.

Sobre o sexo, realmente, é uma diferença abismal entre PMO e uma relação sexual. São universos completamente diferentes e assim como você, minha primeira relação sexual depois de adulto, já viciado, foi frustrante. Não teve orgasmo e nem ereção satisfatória. Somente no início deste ano que pude realmente fazer sexo de verdade. A coisa melhora com o tempo e o importante é jamais desistir mesmo que haja recaída e a mente diga pra nós desistirmos.

Mantenha o foco e tenha consciência de que os benefícios são reais e havendo perseverança eles são sentidos. Boa sorte!

Psico,

Vou tentar ler seu diário pra entender seus motivos. O problema é que são muitas mensagens e o tempo é corrido rs.
Gostaria de conhecer mais sobre tua história e relação com a igreja.
Se você quiser, podemos conversar mais depois.
No fim estamos todos no mesmo barco, é é ótimo encontrar pessoas dispostas a compartilhar suas histórias. Isso tem me dado força.

Um abraço.
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Re: Diário : John

em 3/12/2018, 15:15
Amigos,

Igreja Católica?
Também me pego pensando até que ponto vale ficar numa Igreja que discrimina homossexuais. E até pq já fui espírita.
Mas sei lá. Eu posso até largar de frequentar a igreja ou religiões mas jamais vou deixar de rezar. Isso me faz bem.
Também será que não tem uma conciliação da Igreja com a a nossa homossexualidade?

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Re: Diário : John

em 3/12/2018, 22:19
Também acho importante compartilhar nossas histórias por que dependendo, os motivos podem ser quase os mesmos.

Desculpa se ficar um pouco grande rsrsrs.

Resumindo bastante, minha infância foi um período muito bom pra mim e que me marcou de uma forma muito positiva. Porém no inicio da adolescencia, me vi sendo obrigado á deixar tudo e todos  pra ir morar em um outro estado. Bom, nem preciso dizer que a minha vida virou um mar de solidão. Não tinha mais amigos, as brincadeiras acabaram, passei á estudar numa escola esquisita onde eu sofria bullying e no fim das contas me tornei um menino extremamente recluso durante minha adolescencia inteira. Adicione aí as duvidas em relação á minha sexualidade, depressão da minha mãe, um caso extraconjugal do meu irmão com outra mulher, onde eu sabia de tudo e não podia contar nada pra ninguém, suicídio do meu padrasto e por ai vai.

No meio disso tudo, comecei á me aproximar do meu vizinho, na época eu tinha 16, ainda era BV e virgem. No fim das contas, tive minha primeira experiencia sexual com ele e como ele era evangelico, comecei á acompanhá-lo á igreja e tudo mudou. Fiz vários amigos, me tornei um garoto um tanto quanto popular, saia bastante e tudo aquilo que eu havia perdido no que diz respeito á amizades, recuperei. Mas, ai, outra mudança pra um outro bairro. Me afastei um pouco deste amigo mas decidi continuar frequentando a igreja até me tornar membro fixo (o qual sou até hoje)  e neste meio tempo fui apresentado á internet banda larga. Depois de um tempo descobri vários site de P (e de vários outros conteúdos considerados eróticos) e aí o vício começou ser minha inocente válvula de escape. Via os garotos da igreja ficando com as meninas durante os acampamentos de jovens e eu nem sabia o que fazer. Acreditava que um dia tudo aquilo iria mudar mas nada ocorria. Hoje me considero "Bi", e apesar de nunca ter ficado com mais de 5 moças durante todo esse tempo, sinto atração sexual por mulheres, só não tenho coragem de jogar ideia por medo ser rejeitado por vários motivos um pouco mais... profundos.

Até que muito tempo depois, ja viciado, marquei um cara. E aí... DE. Depois disto, mesmo em meio aos trancos e barrancos, tenho tentado de todas as formas me livrar dessa vontade de ver  P. Minha percepção sobre minha vida também mudou. Hoje sou visto como O EXEMPLO DE JOVEM na igreja. E isso pesa nos ombros. Não digo que pesa por causa da sexualidade, mas pelos motivos que me fazem ainda frequentar a igreja. Seria fé em Deus ou um medo desesperado de ficar sozinho de novo?

O vicio em PMO meio que anestesiou tudo isso e agora, tentando ficar limpo, as coisas vão ficando claras e as decisões sobre o que fazer se tornam mais objetivas. Até o fim muita coisa vai acontecer, mas permanecendo no vício, sei que nada vai mudar.

Sabe David, o problema não é a igreja em si, mas há de se convir que a nossa sociedade ainda vê a homossexualidade como algo extremamente grotesco. É lógico que meu problema maior não é bem o fato de sentir atração pelo mesmo sexo, e sim o significado que eu dou pra minha presença na igreja. São coisas complexas que acho que cada um deveria pensar. O que move a nossa fé? Fazer algo pra "receber" uma recompensa do céu é simplesmente chegar e dizer pra Jesus que o sacrifício Dele não foi o suficiente. Acho que existe muita coisa nesse meio cristão que foge bastante daquilo que Jesus pregava (e vivia) quando esteve aqui neste mundo.

Quis compartilhar isso com você John por que percebo muita coisa em comum nas nossas histórias. Espero que meu relato de alguma forma te ajude e te dê incentivo na sua caminhada!

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Re: Diário : John

em 4/12/2018, 01:21
psico escreveu:Também acho importante compartilhar nossas histórias por que dependendo, os motivos podem ser quase os mesmos.

Desculpa se ficar um pouco grande rsrsrs.

Resumindo bastante, minha infância foi um período muito bom pra mim e que me marcou de uma forma muito positiva. Porém no inicio da adolescencia, me vi sendo obrigado á deixar tudo e todos  pra ir morar em um outro estado. Bom, nem preciso dizer que a minha vida virou um mar de solidão. Não tinha mais amigos, as brincadeiras acabaram, passei á estudar numa escola esquisita onde eu sofria bullying e no fim das contas me tornei um menino extremamente recluso durante minha adolescencia inteira. Adicione aí as duvidas em relação á minha sexualidade, depressão da minha mãe, um caso extraconjugal do meu irmão com outra mulher, onde eu sabia de tudo e não podia contar nada pra ninguém, suicídio do meu padrasto e por ai vai.

No meio disso tudo, comecei á me aproximar do meu vizinho, na época eu tinha 16, ainda era BV e virgem. No fim das contas, tive minha primeira experiencia sexual com ele e como ele era evangelico, comecei á acompanhá-lo á igreja e tudo mudou. Fiz vários amigos, me tornei um garoto um tanto quanto popular, saia bastante e tudo aquilo que eu havia perdido no que diz respeito á amizades, recuperei. Mas, ai, outra mudança pra um outro bairro. Me afastei um pouco deste amigo mas decidi continuar frequentando a igreja até me tornar membro fixo (o qual sou até hoje)  e neste meio tempo fui apresentado á internet banda larga. Depois de um tempo descobri vários site de P (e de vários outros conteúdos considerados eróticos) e aí o vício começou ser minha inocente válvula de escape. Via os garotos da igreja ficando com as meninas durante os acampamentos de jovens e eu nem sabia o que fazer. Acreditava que um dia tudo aquilo iria mudar mas nada ocorria. Hoje me considero "Bi", e apesar de nunca ter ficado com mais de 5 moças durante todo esse tempo, sinto atração sexual por mulheres, só não tenho coragem de jogar ideia por medo ser rejeitado por vários motivos um pouco mais... profundos.

Até que muito tempo depois, ja viciado, marquei um cara. E aí... DE. Depois disto, mesmo em meio aos trancos e barrancos, tenho tentado de todas as formas me livrar dessa vontade de ver  P. Minha percepção sobre minha vida também mudou. Hoje sou visto como O EXEMPLO DE JOVEM na igreja. E isso pesa nos ombros. Não digo que pesa por causa da sexualidade, mas pelos motivos que me fazem ainda frequentar a igreja. Seria fé em Deus ou um medo desesperado de ficar sozinho de novo?

O vicio em PMO meio que anestesiou tudo isso e agora, tentando ficar limpo, as coisas vão ficando claras e as decisões sobre o que fazer se tornam mais objetivas. Até o fim muita coisa vai acontecer, mas permanecendo no vício, sei que nada vai mudar.

Sabe David, o problema não é a igreja em si, mas há de se convir que a nossa sociedade ainda vê a homossexualidade como algo extremamente grotesco. É lógico que meu problema maior não é bem o fato de sentir atração pelo mesmo sexo, e sim o significado que eu dou pra minha presença na igreja. São coisas complexas que acho que cada um deveria pensar. O que move a nossa fé? Fazer algo pra "receber" uma recompensa do céu é simplesmente chegar e dizer pra Jesus que o sacrifício Dele não foi o suficiente. Acho que existe muita coisa nesse meio cristão que foge bastante daquilo que Jesus pregava (e vivia) quando esteve aqui neste mundo.

Quis compartilhar isso com você John por que percebo muita coisa em comum nas nossas histórias. Espero que meu relato de alguma forma te ajude e te dê incentivo na sua caminhada!

Psico,

A minha vida foi construída desde o início da adolescência na igreja. Entre quando tinha 14 anos, agora tenho 24.
Lá encontrei o refúgio em atividades e com pessoas que me deram o valor de descobrir dons e talentos que eu não imaginava ter.
Aprendi a ser um bom orador, a liderar pessoas. Foram muitos benefícios. Dentre o maior deles, com certeza foram meus amigos.
Pessoas de dentro da igreja que se tornaram meus irmão de verdade.

Sempre tive uma relação conturbada com o meu pai. Ele é um homem que nunca tomou uma atitude de protetor da sua família.
Se escondeu de problemas que deveria resolver. Muitas vezes nos deixou na mão (eu, minha mãe e irmão) quando mais precisávamos.
Apesar de termos convivido durante toda a minha infância e de saber que ele me amava, sua falta de coragem para enfrentar a vida sempre vinha à tona.
Passei grande parte da minha infância vendo minha mãe trabalhar fora de casa e chegar cansada, tendo que fazer todas as atividades domésticas.
Enquanto ele não trabalhava, apenas ficava em casa bebendo e conversando com amigos (alguns de conduta ruim).
Além disso, por ser infeliz, sempre tratava a todos nós muito mal.
Sua falta de atitude era compensada por seu jeito autoritário e dominante, se colocava como superior e deixava isso sempre bem claro através de suas atitudes violenta.
No final das contas sempre foi um covarde. Jurei que não seria igual a ele.

Na igreja, encontrei um caminho para ser seu justo oposto. Desenvolver minhas habilidades, ser alguém na vida.
Falo isso, mas sempre era o melhor aluno da turma, onde estudava. Minha mãe sempre me apoiou, mas o meu pai sempre me tratou mal e tentou fechar os olhos para isso.
Raramente me elogiava por mais que eu me destacasse. Parecia ter certo desconforto acerca da minha projeção na vida.
Tanto que no meu primeiro vestibular, passei para 3 cursos ao mesmo tempo. Um deles era a engenharia, que eu sempre sonhei em fazer.
Para isso, teria que me mudar de cidade , e precisaria do apoio dele visto que minha mãe parara de trabalhar por conta de um problema de saúde.
Ele me disse que filho de pobre não precisava cursar faculdade. E que eu fizesse algum curso na nossa cidade.
Aquilo foi chocante pra mim. Ele simplesmente jogou fora todo meu esforço, e não me apoiou.

Entretanto, 3 anos depois consegui entrar no curso. Com apoio da minha mãe e dos meus amigos, sigo forte.
2019 é meu último ano, e durante esse tempo minha mãe se separou do meu pai. Ele não me ajudou em nada durante todo o período da minha graduação.
Sequer mencionava isso em nossas conversas. Como disse, ele é covarde.

Procurando um bom caminho, me joguei de cabeça nas coisas da igreja.
Eu realmente amava tudo o que fazia naquele ambiente, as pessoas, a sensação de estar no lugar certo.
Tudo fazia sentido. E durante muito tempo eu tentei exterminar a sensação pecaminosa de se sentir atraído por outro cara.
Me apaixonei por 2 garotas nesses anos, mas nunca segui em frente em um relacionamento sério. Infelizmente com as duas as circunstâncias externas nos afastaram.
Conversei com outras meninas, fiquei com algumas, mas nada igual a essas duas. E quanto mais eu tentava estar com outras garotas, mais minha atração por caras aumentava.
Junto com isso, a PMO foi aumentando, conforme o tempo se passava e minhas barreiras internas quanto a isso diminuiam.
Comecei com P normal, e depois fui entrando na P gay. Com o tempo ver mulheres não era nem perto de ser tão excitante quanto outros homens.

Com o tempo na igreja, fui sendo cada vez mais reconhecido, e fui aumentando a influência da minha liderança.
Chegávamos a levar quase 100 jovens para os cultos, sob a minha direção de equipe. Eu realmente gostava de lidar com isso.
Aconselhava pessoas, prestava auxílio. Era visto como o exemplo de jovem e líder a ser seguido.
Mas só Deus sabia o quanto me custava manter aquela imagem. Cada vez mais me sentia deteriorado. Minha energia era somente para manter a aparência e executar minhas tarefas.
Eu não aguentava mais suportar aquela posição e me sentir cada vez mais massacrado por algo que eu mostrava, mas não vivia.
Fora isso, algumas coisas na estrutura da própria igreja e no discurso dos líderes maiores me deixava incomodado.
O fato de que muitas coisas eram impostas sem necessariamente se ter uma base bíblica, de que muitos eram julgados pelas pessoas da igreja.
De pessoas pregando e acusando as pessoas, sem ao menos buscar entender o que se está passando.

Muitas coisas fizeram parte da minha decisão de me afastar. E apesar de tudo, a maior delas é porque eu precisava me conhecer.
Saber se realmente gosto de homens ou se isso é uma curiosidade passageira. Se vou querer estar com outro cara ou com uma garota.
Se o que me satisfaz é compartilhar minha vida com outro cara. Eu quero me conhecer sem precisar me esconder em uma redoma de cristal
E essa redoma era a vida perfeita que eu levava na igreja. Não vou dizer que foi fácil, tá sendo muito difícil até agora.
Construí minha vida naquele ambiente, e me ver longe dele consequentemente me afastou das amizades de lá.
Mas eu precisava disso, tudo menos a pressão de viver uma vida de mentira.
Passei muitos fins de semana sozinho, isso intensificou a PMO. Fiquei muito solitário nos primeiros meses.
Ao me afastar terminei o relacionamento que estava começando com uma garota. Fiquei ainda mais sozinho.
Porém a cada dia tenho me descoberto um pouco mais, apesar das dores. Me sinto menos culpado, e menos pesado depois de tudo.
As dificuldades são o preço pago pelo processo de auto descobrimento, uma dessas dificuldades foi ter que lidar de uma vez com a PMO.
Eu estava muito mal, sem ter a quem recorrer, realmente no fundo do poço. Numa tentativa desesperada achei esse fórum.
Entre trancos e barrancos entrei em um processo de luta mais sério do que já tive em toda minha vida.

Antes minha luta era para "fazer a vontade de Deus" ou "ser um real exemplo para as pessoas".
Hoje luto porque quero ser feliz de verdade.
Eu sei que Deus, da forma como a bíblia nos apresenta, não aprova a homossexualidade.
Mas eu prefiro encarar essa realidade do que viver me enganando acerca de algo que sinto.
Definitivamente estou lutando essa batalha de frente. A batalha de me conhecer de fato, e de vencer o vício em PMO.
Me sinto eu mesmo, de verdade, ao agir assim. E aceito qualquer consequência dessa decisão.
Estou aberto a viver uma vida sem máscaras, e feliz por ser quem eu sou. Posso dizer que isso já começou.

Acho que isso está longo demais, vou parar por aqui.
Acaba sendo também o relato do meu diário de hoje.
Tenho muitas outras coisas pra compartilhar com todos vocês, acredito que com o tempo conseguirei.



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Re: Diário : John

em 4/12/2018, 21:32
john_93 escreveu:
psico escreveu:Também acho importante compartilhar nossas histórias por que dependendo, os motivos podem ser quase os mesmos.

Desculpa se ficar um pouco grande rsrsrs.

Resumindo bastante, minha infância foi um período muito bom pra mim e que me marcou de uma forma muito positiva. Porém no inicio da adolescencia, me vi sendo obrigado á deixar tudo e todos  pra ir morar em um outro estado. Bom, nem preciso dizer que a minha vida virou um mar de solidão. Não tinha mais amigos, as brincadeiras acabaram, passei á estudar numa escola esquisita onde eu sofria bullying e no fim das contas me tornei um menino extremamente recluso durante minha adolescencia inteira. Adicione aí as duvidas em relação á minha sexualidade, depressão da minha mãe, um caso extraconjugal do meu irmão com outra mulher, onde eu sabia de tudo e não podia contar nada pra ninguém, suicídio do meu padrasto e por ai vai.

No meio disso tudo, comecei á me aproximar do meu vizinho, na época eu tinha 16, ainda era BV e virgem. No fim das contas, tive minha primeira experiencia sexual com ele e como ele era evangelico, comecei á acompanhá-lo á igreja e tudo mudou. Fiz vários amigos, me tornei um garoto um tanto quanto popular, saia bastante e tudo aquilo que eu havia perdido no que diz respeito á amizades, recuperei. Mas, ai, outra mudança pra um outro bairro. Me afastei um pouco deste amigo mas decidi continuar frequentando a igreja até me tornar membro fixo (o qual sou até hoje)  e neste meio tempo fui apresentado á internet banda larga. Depois de um tempo descobri vários site de P (e de vários outros conteúdos considerados eróticos) e aí o vício começou ser minha inocente válvula de escape. Via os garotos da igreja ficando com as meninas durante os acampamentos de jovens e eu nem sabia o que fazer. Acreditava que um dia tudo aquilo iria mudar mas nada ocorria. Hoje me considero "Bi", e apesar de nunca ter ficado com mais de 5 moças durante todo esse tempo, sinto atração sexual por mulheres, só não tenho coragem de jogar ideia por medo ser rejeitado por vários motivos um pouco mais... profundos.

Até que muito tempo depois, ja viciado, marquei um cara. E aí... DE. Depois disto, mesmo em meio aos trancos e barrancos, tenho tentado de todas as formas me livrar dessa vontade de ver  P. Minha percepção sobre minha vida também mudou. Hoje sou visto como O EXEMPLO DE JOVEM na igreja. E isso pesa nos ombros. Não digo que pesa por causa da sexualidade, mas pelos motivos que me fazem ainda frequentar a igreja. Seria fé em Deus ou um medo desesperado de ficar sozinho de novo?

O vicio em PMO meio que anestesiou tudo isso e agora, tentando ficar limpo, as coisas vão ficando claras e as decisões sobre o que fazer se tornam mais objetivas. Até o fim muita coisa vai acontecer, mas permanecendo no vício, sei que nada vai mudar.

Sabe David, o problema não é a igreja em si, mas há de se convir que a nossa sociedade ainda vê a homossexualidade como algo extremamente grotesco. É lógico que meu problema maior não é bem o fato de sentir atração pelo mesmo sexo, e sim o significado que eu dou pra minha presença na igreja. São coisas complexas que acho que cada um deveria pensar. O que move a nossa fé? Fazer algo pra "receber" uma recompensa do céu é simplesmente chegar e dizer pra Jesus que o sacrifício Dele não foi o suficiente. Acho que existe muita coisa nesse meio cristão que foge bastante daquilo que Jesus pregava (e vivia) quando esteve aqui neste mundo.

Quis compartilhar isso com você John por que percebo muita coisa em comum nas nossas histórias. Espero que meu relato de alguma forma te ajude e te dê incentivo na sua caminhada!

Psico,

A minha vida foi construída desde o início da adolescência na igreja. Entre quando tinha 14 anos, agora tenho 24.
Lá encontrei o refúgio em atividades e com pessoas que me deram o valor de descobrir dons e talentos que eu não imaginava ter.
Aprendi a ser um bom orador, a liderar pessoas. Foram muitos benefícios. Dentre o maior deles, com certeza foram meus amigos.
Pessoas de dentro da igreja que se tornaram meus irmão de verdade.

Sempre tive uma relação conturbada com o meu pai. Ele é um homem que nunca tomou uma atitude de protetor da sua família.
Se escondeu de problemas que deveria resolver. Muitas vezes nos deixou na mão (eu, minha mãe e irmão) quando mais precisávamos.
Apesar de termos convivido durante toda a minha infância e de saber que ele me amava, sua falta de coragem para enfrentar a vida sempre vinha à tona.
Passei grande parte da minha infância vendo minha mãe trabalhar fora de casa e chegar cansada, tendo que fazer todas as atividades domésticas.
Enquanto ele não trabalhava, apenas ficava em casa bebendo e conversando com amigos (alguns de conduta ruim).
Além disso, por ser infeliz, sempre tratava a todos nós muito mal.
Sua falta de atitude era compensada por seu jeito autoritário e dominante, se colocava como superior e deixava isso sempre bem claro através de suas atitudes violenta.
No final das contas sempre foi um covarde. Jurei que não seria igual a ele.

Na igreja, encontrei um caminho para ser seu justo oposto. Desenvolver minhas habilidades, ser alguém na vida.
Falo isso, mas sempre era o melhor aluno da turma, onde estudava. Minha mãe sempre me apoiou, mas o meu pai sempre me tratou mal e tentou fechar os olhos para isso.
Raramente me elogiava por mais que eu me destacasse. Parecia ter certo desconforto acerca da minha projeção na vida.
Tanto que no meu primeiro vestibular, passei para 3 cursos ao mesmo tempo. Um deles era a engenharia, que eu sempre sonhei em fazer.
Para isso, teria que me mudar de cidade , e precisaria do apoio dele visto que minha mãe parara de trabalhar por conta de um problema de saúde.
Ele me disse que filho de pobre não precisava cursar faculdade. E que eu fizesse algum curso na nossa cidade.
Aquilo foi chocante pra mim. Ele simplesmente jogou fora todo meu esforço, e não me apoiou.

Entretanto, 3 anos depois consegui entrar no curso. Com apoio da minha mãe e dos meus amigos, sigo forte.
2019 é meu último ano, e durante esse tempo minha mãe se separou do meu pai. Ele não me ajudou em nada durante todo o período da minha graduação.
Sequer mencionava isso em nossas conversas. Como disse, ele é covarde.

Procurando um bom caminho, me joguei de cabeça nas coisas da igreja.
Eu realmente amava tudo o que fazia naquele ambiente, as pessoas, a sensação de estar no lugar certo.
Tudo fazia sentido. E durante muito tempo eu tentei exterminar a sensação pecaminosa de se sentir atraído por outro cara.
Me apaixonei por 2 garotas nesses anos, mas nunca segui em frente em um relacionamento sério. Infelizmente com as duas as circunstâncias externas nos afastaram.
Conversei com outras meninas, fiquei com algumas, mas nada igual a essas duas. E quanto mais eu tentava estar com outras garotas, mais minha atração por caras aumentava.
Junto com isso, a PMO foi aumentando, conforme o tempo se passava e minhas barreiras internas quanto a isso diminuiam.
Comecei com P normal, e depois fui entrando na P gay. Com o tempo ver mulheres não era nem perto de ser tão excitante quanto outros homens.

Com o tempo na igreja, fui sendo cada vez mais reconhecido, e fui aumentando a influência da minha liderança.
Chegávamos a levar quase 100 jovens para os cultos, sob a minha direção de equipe. Eu realmente gostava de lidar com isso.
Aconselhava pessoas, prestava auxílio. Era visto como o exemplo de jovem e líder a ser seguido.
Mas só Deus sabia o quanto me custava manter aquela imagem. Cada vez mais me sentia deteriorado. Minha energia era somente para manter a aparência e executar minhas tarefas.
Eu não aguentava mais suportar aquela posição e me sentir cada vez mais massacrado por algo que eu mostrava, mas não vivia.
Fora isso, algumas coisas na estrutura da própria igreja e no discurso dos líderes maiores me deixava incomodado.
O fato de que muitas coisas eram impostas sem necessariamente se ter uma base bíblica, de que muitos eram julgados pelas pessoas da igreja.
De pessoas pregando e acusando as pessoas, sem ao menos buscar entender o que se está passando.

Muitas coisas fizeram parte da minha decisão de me afastar. E apesar de tudo, a maior delas é porque eu precisava me conhecer.
Saber se realmente gosto de homens ou se isso é uma curiosidade passageira. Se vou querer estar com outro cara ou com uma garota.
Se o que me satisfaz é compartilhar minha vida com outro cara. Eu quero me conhecer sem precisar me esconder em uma redoma de cristal
E essa redoma era a vida perfeita que eu levava na igreja. Não vou dizer que foi fácil, tá sendo muito difícil até agora.
Construí minha vida naquele ambiente, e me ver longe dele consequentemente me afastou das amizades de lá.
Mas eu precisava disso, tudo menos a pressão de viver uma vida de mentira.
Passei muitos fins de semana sozinho, isso intensificou a PMO. Fiquei muito solitário nos primeiros meses.
Ao me afastar terminei o relacionamento que estava começando com uma garota. Fiquei ainda mais sozinho.
Porém a cada dia tenho me descoberto um pouco mais, apesar das dores. Me sinto menos culpado, e menos pesado depois de tudo.
As dificuldades são o preço pago pelo processo de auto descobrimento, uma dessas dificuldades foi ter que lidar de uma vez com a PMO.
Eu estava muito mal, sem ter a quem recorrer, realmente no fundo do poço. Numa tentativa desesperada achei esse fórum.
Entre trancos e barrancos entrei em um processo de luta mais sério do que já tive em toda minha vida.

Antes minha luta era para "fazer a vontade de Deus" ou "ser um real exemplo para as pessoas".
Hoje luto porque quero ser feliz de verdade.
Eu sei que Deus, da forma como a bíblia nos apresenta, não aprova a homossexualidade.
Mas eu prefiro encarar essa realidade do que viver me enganando acerca de algo que sinto.
Definitivamente estou lutando essa batalha de frente. A batalha de me conhecer de fato, e de vencer o vício em PMO.
Me sinto eu mesmo, de verdade, ao agir assim. E aceito qualquer consequência dessa decisão.
Estou aberto a viver uma vida sem máscaras, e feliz por ser quem eu sou. Posso dizer que isso já começou.

Acho que isso está longo demais, vou parar por aqui.
Acaba sendo também o relato do meu diário de hoje.
Tenho muitas outras coisas pra compartilhar com todos vocês, acredito que com o tempo conseguirei.




Nossa história se assemelha em muitos pontos. Também fui uma referência na igreja (e para muitos ainda sou), uma mãe que teve que suportar os trancos e barrancos, não me conformava em estar na igreja do jeito em que eu estava, por meramente estar.
Fui me inconformando com diversos pontos dentro da igreja, comecei a ter voz, a querer pensar fora da caixa, questionar e querer experimentar algo mais.
Jamais passou pela minha cabeça casar com uma mulher só pra dizer à sociedade que eu estou bem e santo, jamais teria coragem de fazer isso, e esse foi um dos motivos de eu começar a me afastar da igreja.
Homossexuais não crescem dentro da igreja, temos que mentir falando que estamos bem e sem tentações (ou escondendo-as) e ainda sim, pelo fato de sermos o que somos, estaríamos fadados ao escanteio. A igreja não sabe lidar com homossexuais, algumas recebem bem, mas não temos vez, porque a igreja não nos dá esse espaço e eu concordo em partes, a bíblia é clara em diversos pontos acerca da homossexualidade, ou seja, a única saída do homossexual dentro da igreja é ser um eunuco (àquele que se dedica exclusivamente à igreja). Como poderia eu negar minha própria sexualidade a este ponto? Fomos escolhidos por Deus para, além de sofrer a vida inteira por algo que não escolheu, não poder sequer desfrutar de uma vida sexual? Sabem, isso já me fez refletir deveras, mas é difícil! Eu tentei algum tempo esconder minha homossexualidade, fingir que não existia, e me dedicar somente ao reino, mas meu corpo precisava dar vazão a minha energia sexual, aí que entrou o PMO. Eu não quero ser quem não sou, não quero agradar ninguém, quero amar a Deus sem me sentir julgado. Quem é heterossexual não sabe da dificuldade e do julgo que é ser homossexual, ainda mais quando se já se tinha um relacionamento na igreja.

Espero que de alguma forma eu tenha te ajudado!

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Re: Diário : John

em 5/12/2018, 02:12
Boa noite amigos,

Hoje o dia foi tranquilo, apesar de cansativo.
Tenho tido muitas aulas esse semestre e também vou apresentar em breve meu TCC. Estou trabalhando nisso o ano todo.
É uma área relativamente complexa, com muito cálculo e coisas teóricas. Não tem sido fácil, mas cada avanço me faz sentir que sou capaz de superar os desafios.

Nesse mesmo enfoque, havia inserido a meta de 4 dias sem PMO afim de romper meu último strike de 3 dias. Consegui, e hoje estou reiniciando a meta para 7 dias. Eu fiz hoje. Não quis ir tão rápido, sinto que estou me adaptando aos poucos e minha mentalidade está mudando em relação a isso. Acredito que esse é o ponto chave: a mudança de mente.

Continuo na luta. Já me sinto um vencedor a cada pequeno passo.

PS.: Não inseri o contador pois estou escrevendo pelo celular.
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Re: Diário : John

em 6/12/2018, 00:01
Fala John! Apesar da correria e falta de tempo, quero lhe agradecer por ter compartilhado sua história comigo. Como havia dito, o vício em PMO é uma oportunidade de nos fazer entrar em contato com nós mesmos e fazer com que haja uma auto consciência daquilo que somos e daquilo que queremos.

Confesso que me emocionei lendo seu relato. Principalmente quando você diz "Definitivamente estou lutando essa batalha de frente. A batalha de me conhecer de fato, e de vencer o vício em PMO. Me sinto eu mesmo, de verdade, ao agir assim. E aceito qualquer consequência dessa decisão. Estou aberto a viver uma vida sem máscaras, e feliz por ser quem eu sou. Posso dizer que isso já começou." Cara... Você tocou num ponto importantíssimo pra mim pois o meu maior medo no fim das contas, é de me sentir sozinho como antes. E pra não sentir isso, tenho sustentado uma mascara que já está começando á pesar. E digo que não é necessariamente a atração por caras minha principal dificuldade. Acho até que se eu me abrir pra algumas poucas pessoas, (lembrando que algumas delas, bem poucas, sabem e pra elas não fez nenhuma diferença) isso meio que... passa um pouco batido. Não vejo a necessidade de gritar aos quatro ventos o que me atrai. Prefiro fazer o que minha psicóloga uma vez falou comigo, " Deixa seu silencio falar por você" Meu maior medo de fato é dizer, vou sair e enfim... magoar muita gente, e várias outras coisas que brotam em minha mente.

Mas, de qualquer forma, parabéns pelo empenho e novamente obrigado por se abrir um pouquinho comigo contando sua história. Você já é um vencedor!

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