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LeonCage
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em 10/11/2019, 20:41
Olá pessoal!

Depois de ler muitos relatos aqui, resolvi também compartilhar a minha história, com os objetivos de firmar mais ainda o compromisso de luta contra o vício em PMO, ajudar outros usuários e também ser ajudado. Tentei resumir o texto o máximo possível, mas mesmo assim ficou longo.

Não sei dizer exatamente quando tudo começou, mas sei que foi bem cedo. Acredito que o meu primeiro contato com P tenha sido por volta dos 7 anos através do clipe Garota Nacional, da banda Skank, que era exibido livremente durante o dia na MTV. Eu esperava ficar sozinho na sala e quase sempre que eu sintonizava no canal estava passando aquele clipe. Apesar de o clipe não ser exatamente P, aquilo me era algo que me “puxava” a assistir e eu nem sabia ao certo o motivo.

Sempre fui muito curioso com relação a tudo, acho que isso tenha sido uma das variáveis que ajudou no desenvolvimento do meu vício. Lembro bem de um acontecimento em que o meu pai, meu tio e alguns amigos deles se reuniram para assistir a um filme P que um deles havia pego na locadora. Eu, que na época tinha cerca de 10 anos, obviamente fiquei de fora dessa reunião. Isso instigou a minha curiosidade de tal forma que insisti tanto a eles para ver que um dia consegui convencer o meu tio a me deixar ver o tal filme P. Minha primeira impressão do filme foi de algo sem graça, beirando o ridículo. Mesmo assim, continuei interessado em buscar mais produções do gênero. Meu pai nunca me incentivou diretamente, mas também nunca me proibiu de assistir P, inclusive sempre me apoiou autorizando as locadoras do bairro a alugarem filmes P para mim. Minha mãe sempre se posicionou contra, mas nunca fez nada para me impedir pois tanto ela quanto meu pai acreditavam que isso, apesar de ser algo imoral, não iria me prejudicar. Não posso culpar eles por isso, pois também pensei a mesma coisa durante vários anos.

Os primeiros anos da minha adolescencência foram regados a muito filme P de locadora e revistas masculinas, todas bancadas pela minha mesada. A maior parte do dinheiro que eu ganhava era destinado a isso. Com a chegada da puberdade, descobrir também a M e O, fazendo com que o consumo de conteúdo P aumentasse. Acho que foi a partir desse momento que a coisa se tornou de fato um vício; eu alugava cerca de 3 a 4 filmes por semana e comprava quase todas as revistas lançadas no mês. Em pouco tempo eu já tinha reunido uma coleção gigantesca de revistas. Com a popularização do DVD, comecei a alugar mais eles ao invés do antigo VHS, o que me permitia fazer cópias dos filmes que alugava. Passei então a adquirir um arsenal de filmes P.

Por volta de 2005, os programas de inclusão digital do governo facilitaram bastante o acesso à informática e internet. Na época eu ganhei o meu primeiro PC, mas não tinha internet em casa. Eu tinha que frequentar LAN houses para ter acesso à rede e, uma das únicas coisas que me interessava pesquisar a respeito era P. Comecei baixando apenas fotos, dadas as limitações técnicas da internet daquela época e, conforme a coisa foi evoluindo, passei a baixar também filmes. Até hoje me pergunto se os donos daquela LAN house que eu frequentava faziam vista grossa ou simplesmente não sabiam o que eu ficava fazendo lá durante várias horas.

Segui nessa vida por alguns anos e, nesse momento eu já conseguia notar que havia algo de errado na minha vida, mas eu não conseguia identificar exatamente o que era e tão pouco associar isso à P. Eu já havia completado 18 anos e me dei conta de que sequer havia beijado uma garota. Desde aquela época o meu nível de autoconfiança era baixíssimo, pois todos na escola diziam que eu era feio de mais e isso talvez tenha sido um dos fatores que me afundou ainda mais para o PMO.

Em poucos anos, o vício em PMO deu origem a um sub-vício: acumular vídeos e fotos de P. Todo dinheiro que eu ganhava era destinado à LAN house e a compra de DVDs para gravar os arquivos. A compulsão em fazer os downloads foi tomando uma proporção tão grande que me forçou a desenvolver um método de gestão para esse material todo. Eu fazia uma espécie de “triagem” dos filmes e fotos para então classificá-los de acordo com as categorias. Isso me consumia um tempo tão grande que aos poucos começou a afetar a minha vida pessoal. Eu já havia completado o ensino médio e estava fazendo um curso técnico, mas não conseguia me concentrar nas aulas e não fazia as tarefas de casa, pois em casa eu já tinha uma “ocupação”. O prazer em assistir e fazer essa classificação dos vídeos era quase semelhante ao proporcionado pela M.

Quando finalmente consegui instalar banda larga em casa, aí sim o meu vício descambou de vez. Tive de adquirir o meu primeiro HD externo para armazenar os meus vídeos e fotos favoritos. Apesar do vício, nessa época consegui um emprego razoavelmente bom, e junto com ele veio o meu primeiro cartão de crédito. A partir de então a coisa começou a me causar prejuízos financeiros maiores, pois comecei a pagar por assinaturas premium de sites P. A quantidade de downloads começou a aumentar conforme a velocidade de internet da minha rua também aumentava, e eu comecei a investir cada vez mais em armazenamento digital, chegando ao ponto de adquirir dois servidores de arquivos de alto desempenho para melhor armazenar o que eu baixava. Até hoje não comento com ninguém que possuo tais equipamentos pois são destinados ao uso corporativo, não faz sentido um usuário comum ter isso em casa por conta do custo elevado.

A essa altura da minha vida eu já estava quase que completamente isolado da sociedade; não sentia prazer em qualquer tipo de atividade social para as quais fosse convidado, tão pouco para relacionamentos reais. Sempre que eu via mulheres atraentes, seja no trabalho ou na rua, ficava imaginando ela em diversas situações eróticas, tal como nos filmes. Eu sentia que era totalmente incapaz de ter alguma chance com aquelas mulheres, então me jogava no PMO como forma de afogar essa mágoa. Tal comportamento acarretou no surgimento daquilo que eu considero um dos maiores problemas causados pelo meu vício: a objetificação do sexo oposto. Passei a desejar cerca de 95% das mulheres que via na rua, algumas até fora dos padrões de beleza da sociedade. Isso me deixava muito mal, uma sensação de culpa por ter tais pensamentos, mas era algo mais forte do que eu. Passei a ter muito medo de um dia não conseguir controlar os meus pensamentos e acabar cometendo algum crime sexual, o que felizmente nunca aconteceu.

Mesmo assim, segui levando a minha vida dessa forma acreditando que era o meu destino viver sozinho alimentado por PMO. Os downloads foram aumentando cada vez mais e, com a chegada da fibra óptica na minha rua, passei a ter um link de internet de 240 Mbps. Eu já estava começando a ficar cansado dessa rotina, até porque a quantidade de arquivos que eu havia acumulado já eram muito maiores do que o meu tempo livre para gerenciar e “consumir” todo esse P.

Segui por mais alguns anos nessa rotina, até que um dia li a respeito de um tal movimento chamado September NoFap, que consistia em ficar todo o mês de setembro sem M. No primeiro momento achei isso um absurdo para mim, pois dificilmente conseguia ficar mais de uma semana sem PMO. Mas a ideia ficou martelando na minha cabeça, permaneceu aquele “e se…”. Depois de um tempo, o Youtube me sugeriu o vídeo de uma famosa ex-atriz de filmes adultos cujo título dizia que “a P tem que acabar”. Antes de assistir achei que seria algo completamente sem pé nem cabeça, motivado por algum fundamento religioso ou algo do tipo. No entanto, os argumentos dela foram bastante convincentes em explicar sobre o mal que a P fez à ela e continua fazendo não só com os profissionais da área como também para quem consome esse tipo de material. Tal ponto de vista fazia sentido com as diversas notícias que eu acompanhava sobre ex-atrizes que morriam vítimas de suicídio, o que me deixava bastante mal com uma sensação de culpa. Vários vídeos sobre o assunto foram aparecendo nas minhas recomendações e, um deles eu acredito ter sido o gatilho que me fez querer dar um fim no vício de uma vez por todas. No vídeo, um praticante de NoFap afirma que muitos problemas da sua vida podem estar relacionados à P e você nem sabe.

Isso tudo me fez pesquisar cada vez mais sobre o assunto até chegar ao presente fórum, onde tive acesso ao guia introdutório e tomei a decisão de oficialmente erradicar o PMO da minha vida. Hoje tenho sérios problemas de baixa autoestima e não consigo me prender a algo que exija dedicação a longo prazo, motivo pelo qual nunca consegui concluir o ensino superior, apesar de hoje ter um emprego estável. Quero obter autoestima para pode me relacionar com mulheres e tentar recuperar parte do tempo perdido (hoje tenho 30 anos), ao invés de ficar apenas fantasiando sexo com elas.

Como métodos de religação, estou dedicando mais tempo aos videogames que havia comprado e raramente jogava. Também estou assistindo vários filmes e séries nos serviços de streaming que eu estava pagando todo mês sem usar e, conforme a minha autoestima melhorar, quero sair mais e viajar, que é algo que sempre quis fazer e acredito que também me fará bem. Há alguns meses também comecei a aprender a língua coreana, visto que a cultura do leste asiático sempre me despertou interesse, mas agora sem o vício do PMO terei muito mais tempo para me dedicar aos estudos.

Algo muito importante que fiz nessa semana foi deletar/destruir todo o meu material P. Confesso que senti um misto de alívio e dor no coração, pois apesar de todo o mal que isso me causou, grande parte desse material me acompanhou durante mais de uma década. Depois de caçar e deletar tudo que encontrava nos meus HDs externos e servidores, contabilizei os absurdos 8,4 TB de arquivos removidos. Ainda falta me livrar dos DVDs e revistas, que estão em locais mais inacessíveis da minha casa. Mas como o objetivo é nunca mais utilizar esse tipo de material, vou descartá-los assim que os encontrar.

Nesse momento estou a 6 dias sem PMO. Até o momento não senti nenhum efeito positivo, mas entendo que no meu caso seja necessário um período de desintoxicação maior visto que fiquei exposto à P por cerca de 20 anos. Ontem eu percebi que ainda continuo observando os detalhes do corpo de mulheres desconhecidas na rua, mas pelo menos não fico mais excitado como antes.

Tenho uma dúvida com relação ao processo de reboot: se eu estiver assistindo a um filme de ação, e no meio da história surge uma cena de sexo com nudez, como devo proceder? Ontem aconteceu isso comigo e eu segui assistindo normalmente a cena que durou menos de 2 minutos, mas apesar de não ter sentido nada me pergunto se isso pode vir a prejudicar o reboot.
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em 10/11/2019, 21:37
Opa, beleza LeonCage.

Primeiramente quero desejar boas vindas ao fórum - apesar de eu ter entrado recentemente no mesmo.

Acabei de ler seu relato, impressionante como as histórias se repetem, eu também comecei muito novo, no início também era coisas como clipes, aqueles programas de TV dos anos 90... Também me assemelho com sua história no que tange passar uma adolescência de baixa auto-estima e sem nunca ao menos ter beijado ninguém. 

Acredito que ver uma cena de sexo "sem querer" não há problema, porém sempre bom evitar esses gatilhos, porque facilmente eles nos levam a praticar PMO.

É isso aí, vou acompanhando seu diário, boa sorte no reboot.

Abraço!
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em 10/11/2019, 22:04
Olá seja bem vindo colega!

Reinciar,resetar, despressurizar a mente da sexualidade desregrada pelo uso da PMO. Recomendo que você busque fazer o curso Revert. O Reboot deve ser por toda a vida, os 90 dias é um parâmetro para vê se conseguimos nos livrar dos sintomas ou de alguns sintomas, mas devemos ter em mente que se não conseguimos nos livrar de todos os sintomas ou de apenas parte deles em 90 dias isso é normal, cada um terá seu tempo e não se pressione, a palavra chave é despressurizar a mente do stress que a abstinência vai causar. Evita gatilhos e situações potencias desencadeadoras do efeito PMO, sabemos que nossa biologia nos impulsiona a sermos caçador de novidades, o efeito coolidge nos mostra isso assim como o efeito caçador.
Então a resposta para sua pergunta é que devemos evitar sim potenciais gatilhos desencadeadores de busca por PMO, uma cena erótica em um filme pode sim ter esse papel, eu recomendaria que você evite assistir essas cenas!

Abçs

Sucesso!!!

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,"DESPRESSURIZE SUA MENTE DO PRAZER ENGANOSO DA PMO"

..."É MELHOR SER ESCRAVO DOS BLOQUEADORES QUE SER ESCRAVO DA PORNOGRAFIA"... (PROJETO, TOGURO)

ABÇS E SUCESSO NESSA JORNADA!!!

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em 11/11/2019, 00:21
LeonCage, eu só percebi essa coisa da objetificação por conta de duas situações da minha vida: a primeira foi quando um recepcionista, brincando, disse que eu era viciado em mulher (pois eu olhava para todas as mulheres que passassem); a segunda foi uma namorada que me falou que achava horrível essa coisa de eu olhar para as outras mulheres quando estava com ela. Até então, achava normal de homem, mas depois desses episódios comecei a refletir sobre essa característica e de onde ela vinha e o que acarretava - observação erótica e objetificadora do sexo aposto.

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Acompanhe minha história: O Diário de Dante

"Entregou-se tanto ao vício da luxúria, que em sua lei tornou lícito aquilo que desse prazer, para cancelar a censura que merecia." Dante Alighieri

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LeonCage
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em 11/11/2019, 23:11
Obrigado pessoal.

Hoje, completando 1 semana do reboot, acordei com uma daquelas ereções involuntárias e fiquei preocupado que isso fosse evoluir para algo mais, mas acabou passando logo em seguida. Durante o fim de semana passado fiquei só em casa e, quando voltei a trabalhar hoje comecei a ver mulheres na rua e novamente veio aquela compulsão em ficar observando, como se fosse um imã para os meus olhos. Temo que isso venha a se tornar algum gatilho, pois lembro que na época no vício era sempre assim: eu via e desejava mulheres na rua e quando chegava em casa me entregava ao PMO mesclando o desejo por elas com a P.

Durante boa parte do dia de hoje, pensamentos sobre sexo tentavam invadir a minha mente, mas consegui desviar todos eles ao invés de me entregar ao PMO, como fazia antes. Até o momento sigo firme.
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em 13/11/2019, 00:13
Mais um dia firme na batalha.

Hoje comecei a notar uma leve melhora na forma como me relaciono com as pessoas, coisa bem sutil mas ainda assim notável. Cumprimentei até uma vizinha que sempre preencheu as minhas fantasias no passado e eu nunca sequer havia tido coragem de trocar uma palavra com ela.

Por falar em fantasias, isso é algo que ainda vem me preocupando. Durante o dia no trabalho, nos momentos de ociosidade eu me pegava fantasiando com sexo, seja com alguma colega que passava pelo meu setor ou com alguma desconhecida que eu tinha visto antes na rua. Até então estou conseguindo driblar bem esses pensamentos e chutá-los para longe sempre que aparecem, mas me pergunto até quando eles vão continuar e se vou ser sempre bem sucedido nessa luta. Resolvi também bloquear as URL dos sites que mais visitava alterando o arquivo hosts do Windows, apenas por precaução. No entanto, acho que o meu maior desafio durante o reboot vai ser lidar com as fantasias com mulheres aleatórias, algo que eu espero ver desaparecendo com o tempo.
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em 14/11/2019, 23:33
Mais um dia firme na luta.

De vez em quando surgem os pensamentos sobre sexo, mas consigo eliminá-los da mesma forma que vieram, creio que estou me saindo bem nisso.

Notei também uma sutil melhora na minha disposição para fazer as coisas. Hoje no meu trabalho, por exemplo, consegui resolver um problema casca grossa para o qual eu não tinha ânimo para lidar há uns dias atrás. Imagino que essa energia seja um dos resultados positivos da abstinência do PMO, apesar de estar apenas no 11º dia.

Estou me dedicando mais aos estudos da língua coreana e testando vários métodos interessantes de fixação do vocabulário, que estão preenchendo bem o tempo que antes era dedicado ao PMO.

Nos primeiros dias após ter deletado todo o meu acervo de P, eu ficava lembrando de alguns vídeos e fotos raras que foram perdidas e me vinha aquela pontinha de arrependimento. Mas agora penso cada vez menos nisso e sinto que a sensação de alívio/liberdade começa aos poucos a prevalecer.
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em 17/11/2019, 11:03
Sem grandes novidades.

Durante esses 3 dias em casa passei por alguns momentos de tédio e estresse que me deixaram mais próximo da queda. Mas consegui me manter firme graças a determinação e vontade de mudança. Li também vários relatos bastante motivadores de outros membros aqui, que vão me ajudar bastante principalmente no que diz respeito às fantasias, acho que agora conseguirei controlar melhor isso.
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em 17/11/2019, 12:14
LeonCage escreveu:Sem grandes novidades.

Durante esses 3 dias em casa passei por alguns momentos de tédio e estresse que me deixaram mais próximo da queda. Mas consegui me manter firme graças a determinação e vontade de mudança. Li também vários relatos bastante motivadores de outros membros aqui, que vão me ajudar bastante principalmente no que diz respeito às fantasias, acho que agora conseguirei controlar melhor isso.

Parabéns, amigo Leon Cage! Sigamos firmes na luta! A cada dia um dia!

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em 18/11/2019, 13:22
LeonCage escreveu:Olá pessoal!

Depois de ler muitos relatos aqui, resolvi também compartilhar a minha história, com os objetivos de firmar mais ainda o compromisso de luta contra o vício em PMO, ajudar outros usuários e também ser ajudado. Tentei resumir o texto o máximo possível, mas mesmo assim ficou longo.

Não sei dizer exatamente quando tudo começou, mas sei que foi bem cedo. Acredito que o meu primeiro contato com P tenha sido por volta dos 7 anos através do clipe Garota Nacional, da banda Skank, que era exibido livremente durante o dia na MTV. Eu esperava ficar sozinho na sala e quase sempre que eu sintonizava no canal estava passando aquele clipe. Apesar de o clipe não ser exatamente P, aquilo me era algo que me “puxava” a assistir e eu nem sabia ao certo o motivo.

Sempre fui muito curioso com relação a tudo, acho que isso tenha sido uma das variáveis que ajudou no desenvolvimento do meu vício. Lembro bem de um acontecimento em que o meu pai, meu tio e alguns amigos deles se reuniram para assistir a um filme P que um deles havia pego na locadora. Eu, que na época tinha cerca de 10 anos, obviamente fiquei de fora dessa reunião. Isso instigou a minha curiosidade de tal forma que insisti tanto a eles para ver que um dia consegui convencer o meu tio a me deixar ver o tal filme P. Minha primeira impressão do filme foi de algo sem graça, beirando o ridículo. Mesmo assim, continuei interessado em buscar mais produções do gênero. Meu pai nunca me incentivou diretamente, mas também nunca me proibiu de assistir P, inclusive sempre me apoiou autorizando as locadoras do bairro a alugarem filmes P para mim. Minha mãe sempre se posicionou contra, mas nunca fez nada para me impedir pois tanto ela quanto meu pai acreditavam que isso, apesar de ser algo imoral, não iria me prejudicar. Não posso culpar eles por isso, pois também pensei a mesma coisa durante vários anos.

Os primeiros anos da minha adolescencência foram regados a muito filme P de locadora e revistas masculinas, todas bancadas pela minha mesada. A maior parte do dinheiro que eu ganhava era destinado a isso. Com a chegada da puberdade, descobrir também a M e O, fazendo com que o consumo de conteúdo P aumentasse. Acho que foi a partir desse momento que a coisa se tornou de fato um vício; eu alugava cerca de 3 a 4 filmes por semana e comprava quase todas as revistas lançadas no mês. Em pouco tempo eu já tinha reunido uma coleção gigantesca de revistas. Com a popularização do DVD, comecei a alugar mais eles ao invés do antigo VHS, o que me permitia fazer cópias dos filmes que alugava. Passei então a adquirir um arsenal de filmes P.

Por volta de 2005, os programas de inclusão digital do governo facilitaram bastante o acesso à informática e internet. Na época eu ganhei o meu primeiro PC, mas não tinha internet em casa. Eu tinha que frequentar LAN houses para ter acesso à rede e, uma das únicas coisas que me interessava pesquisar a respeito era P. Comecei baixando apenas fotos, dadas as limitações técnicas da internet daquela época e, conforme a coisa foi evoluindo, passei a baixar também filmes. Até hoje me pergunto se os donos daquela LAN house que eu frequentava faziam vista grossa ou simplesmente não sabiam o que eu ficava fazendo lá durante várias horas.

Segui nessa vida por alguns anos e, nesse momento eu já conseguia notar que havia algo de errado na minha vida, mas eu não conseguia identificar exatamente o que era e tão pouco associar isso à P. Eu já havia completado 18 anos e me dei conta de que sequer havia beijado uma garota. Desde aquela época o meu nível de autoconfiança era baixíssimo, pois todos na escola diziam que eu era feio de mais e isso talvez tenha sido um dos fatores que me afundou ainda mais para o PMO.

Em poucos anos, o vício em PMO deu origem a um sub-vício: acumular vídeos e fotos de P. Todo dinheiro que eu ganhava era destinado à LAN house e a compra de DVDs para gravar os arquivos. A compulsão em fazer os downloads foi tomando uma proporção tão grande que me forçou a desenvolver um método de gestão para esse material todo. Eu fazia uma espécie de “triagem” dos filmes e fotos para então classificá-los de acordo com as categorias. Isso me consumia um tempo tão grande que aos poucos começou a afetar a minha vida pessoal. Eu já havia completado o ensino médio e estava fazendo um curso técnico, mas não conseguia me concentrar nas aulas e não fazia as tarefas de casa, pois em casa eu já tinha uma “ocupação”. O prazer em assistir e fazer essa classificação dos vídeos era quase semelhante ao proporcionado pela M.

Quando finalmente consegui instalar banda larga em casa, aí sim o meu vício descambou de vez. Tive de adquirir o meu primeiro HD externo para armazenar os meus vídeos e fotos favoritos. Apesar do vício, nessa época consegui um emprego razoavelmente bom, e junto com ele veio o meu primeiro cartão de crédito. A partir de então a coisa começou a me causar prejuízos financeiros maiores, pois comecei a pagar por assinaturas premium de sites P. A quantidade de downloads começou a aumentar conforme a velocidade de internet da minha rua também aumentava, e eu comecei a investir cada vez mais em armazenamento digital, chegando ao ponto de adquirir dois servidores de arquivos de alto desempenho para melhor armazenar o que eu baixava. Até hoje não comento com ninguém que possuo tais equipamentos pois são destinados ao uso corporativo, não faz sentido um usuário comum ter isso em casa por conta do custo elevado.

A essa altura da minha vida eu já estava quase que completamente isolado da sociedade; não sentia prazer em qualquer tipo de atividade social para as quais fosse convidado, tão pouco para relacionamentos reais. Sempre que eu via mulheres atraentes, seja no trabalho ou na rua, ficava imaginando ela em diversas situações eróticas, tal como nos filmes. Eu sentia que era totalmente incapaz de ter alguma chance com aquelas mulheres, então me jogava no PMO como forma de afogar essa mágoa. Tal comportamento acarretou no surgimento daquilo que eu considero um dos maiores problemas causados pelo meu vício: a objetificação do sexo oposto. Passei a desejar cerca de 95% das mulheres que via na rua, algumas até fora dos padrões de beleza da sociedade. Isso me deixava muito mal, uma sensação de culpa por ter tais pensamentos, mas era algo mais forte do que eu. Passei a ter muito medo de um dia não conseguir controlar os meus pensamentos e acabar cometendo algum crime sexual, o que felizmente nunca aconteceu.

Mesmo assim, segui levando a minha vida dessa forma acreditando que era o meu destino viver sozinho alimentado por PMO. Os downloads foram aumentando cada vez mais e, com a chegada da fibra óptica na minha rua, passei a ter um link de internet de 240 Mbps. Eu já estava começando a ficar cansado dessa rotina, até porque a quantidade de arquivos que eu havia acumulado já eram muito maiores do que o meu tempo livre para gerenciar e “consumir” todo esse P.

Segui por mais alguns anos nessa rotina, até que um dia li a respeito de um tal movimento chamado September NoFap, que consistia em ficar todo o mês de setembro sem M. No primeiro momento achei isso um absurdo para mim, pois dificilmente conseguia ficar mais de uma semana sem PMO. Mas a ideia ficou martelando na minha cabeça, permaneceu aquele “e se…”. Depois de um tempo, o Youtube me sugeriu o vídeo de uma famosa ex-atriz de filmes adultos cujo título dizia que “a P tem que acabar”. Antes de assistir achei que seria algo completamente sem pé nem cabeça, motivado por algum fundamento religioso ou algo do tipo. No entanto, os argumentos dela foram bastante convincentes em explicar sobre o mal que a P fez à ela e continua fazendo não só com os profissionais da área como também para quem consome esse tipo de material. Tal ponto de vista fazia sentido com as diversas notícias que eu acompanhava sobre ex-atrizes que morriam vítimas de suicídio, o que me deixava bastante mal com uma sensação de culpa. Vários vídeos sobre o assunto foram aparecendo nas minhas recomendações e, um deles eu acredito ter sido o gatilho que me fez querer dar um fim no vício de uma vez por todas. No vídeo, um praticante de NoFap afirma que muitos problemas da sua vida podem estar relacionados à P e você nem sabe.

Isso tudo me fez pesquisar cada vez mais sobre o assunto até chegar ao presente fórum, onde tive acesso ao guia introdutório e tomei a decisão de oficialmente erradicar o PMO da minha vida. Hoje tenho sérios problemas de baixa autoestima e não consigo me prender a algo que exija dedicação a longo prazo, motivo pelo qual nunca consegui concluir o ensino superior, apesar de hoje ter um emprego estável. Quero obter autoestima para pode me relacionar com mulheres e tentar recuperar parte do tempo perdido (hoje tenho 30 anos), ao invés de ficar apenas fantasiando sexo com elas.

Como métodos de religação, estou dedicando mais tempo aos videogames que havia comprado e raramente jogava. Também estou assistindo vários filmes e séries nos serviços de streaming que eu estava pagando todo mês sem usar e, conforme a minha autoestima melhorar, quero sair mais e viajar, que é algo que sempre quis fazer e acredito que também me fará bem. Há alguns meses também comecei a aprender a língua coreana, visto que a cultura do leste asiático sempre me despertou interesse, mas agora sem o vício do PMO terei muito mais tempo para me dedicar aos estudos.

Algo muito importante que fiz nessa semana foi deletar/destruir todo o meu material P. Confesso que senti um misto de alívio e dor no coração, pois apesar de todo o mal que isso me causou, grande parte desse material me acompanhou durante mais de uma década. Depois de caçar e deletar tudo que encontrava nos meus HDs externos e servidores, contabilizei os absurdos 8,4 TB de arquivos removidos. Ainda falta me livrar dos DVDs e revistas, que estão em locais mais inacessíveis da minha casa. Mas como o objetivo é nunca mais utilizar esse tipo de material, vou descartá-los assim que os encontrar.

Nesse momento estou a 6 dias sem PMO. Até o momento não senti nenhum efeito positivo, mas entendo que no meu caso seja necessário um período de desintoxicação maior visto que fiquei exposto à P por cerca de 20 anos. Ontem eu percebi que ainda continuo observando os detalhes do corpo de mulheres desconhecidas na rua, mas pelo menos não fico mais excitado como antes.

Tenho uma dúvida com relação ao processo de reboot: se eu estiver assistindo a um filme de ação, e no meio da história surge uma cena de sexo com nudez, como devo proceder? Ontem aconteceu isso comigo e eu segui assistindo normalmente a cena que durou menos de 2 minutos, mas apesar de não ter sentido nada me pergunto se isso pode vir a prejudicar o reboot.

Boa tarde!
Li seu relato, e relatos como o seu e da maioria aqui mostra que não estamos sós... Antes de conhecer o fórum e conhecer pessoas que se identificam comigo achava que eu estava só... Achava que com pouco mais de cinquenta anos só eu era assim... se por um lado é triste, tantos estarem no mesmo barco, por outro é reconfortante saber que não estou só, e principalmente que muitos saíram dessa, e com certeza vamos conseguir tbm, levando mais ou menos tempo. Abraço!!!

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LeonCage
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Diário de LeonCage Empty Re: Diário de LeonCage

em 18/11/2019, 18:41
Jack Sparrow escreveu:
Boa tarde!
Li seu relato, e relatos como o seu e da maioria aqui mostra que não estamos sós... Antes de conhecer o fórum e conhecer pessoas que se identificam comigo achava que eu estava só... Achava que com pouco mais de cinquenta anos só eu era assim... se por um lado é triste, tantos estarem no mesmo barco, por outro é reconfortante saber que não estou só, e principalmente que muitos saíram dessa, e com certeza vamos conseguir tbm, levando mais ou menos tempo. Abraço!!!

Concordo com você, Jack! Também me identifiquei com muitos relatos aqui no fórum, o que me fez perceber que o problema é muito mais comum do que eu imaginava. De certa forma, me conforta um pouco saber que eu consegui identificar "cedo" o vício e estou lutando para me livrar dele antes que destrua a minha vida de vez, como já aconteceu com alguns colegas aqui.

Já atingi a marca de 14 dias limpo. Hoje foi um pouco mais complicado, pois desde a manhã já comecei a ser bombardeado por pensamentos sobre sexo. Durante a tarde no trabalho, tive que participar de uma reunião extremamente chata de quase 2 horas, aí foi ainda mais difícil lutar contra os pensamentos, ainda mais pelo fato de estar presente na sala uma colega que sempre habitou as minhas fantasias, mas ao mesmo tempo que desejava ela eu me sentia mal com esses pensamentos. Porém, acho que estou começando a entender melhor e consegui mapear o que eu acredito ser o meu principal gatilho: o tédio. Agora só preciso aprender a lidar com ele nas situações em que realmente é complicado, como a reunião de hoje.

Outra coisa que notei também é que desde ontem estou mais ranzinza, perdendo a paciência e me irritando com coisas simples que antes não me incomodavam tanto. Me corrijam se eu estiver errado, mas acredito que essa mudança de humor seja algum efeito da abstinência, pois sempre fui muito tolerante em várias situações.
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LeonCage
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Diário de LeonCage Empty Re: Diário de LeonCage

em 20/11/2019, 22:25
Mais um dia, comemorando os 16 dias limpos, mas ao mesmo tempo preocupado pelas constantes fantasias que insistem em inundar a minha mente e representam um enorme gatilho em potencial. Andei colocando em prática algumas dicas de colegas aqui sobre como "voltar" à realidade quando me pego fantasiando, mas ainda assim não é fácil. Hoje fez bastante calor na minha cidade, o que fez com que eu me deparasse com muitas mulheres usando roupas mais a vontade; por mais que eu tente não consigo deixar de olhar e eventualmente fantasiar, o que faz a vontade de chegar em casa e correr para o PMO aumentar bastante. As vezes me pergunto se esse meu problema de objetificar as mulheres seja algo que possa resolvido apenas com a abstinência da P ou talvez precise de ajuda profissional para entender se a origem do problema é realmente por causa da prolongada exposição à "toxina".
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LeonCage
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em 22/11/2019, 18:44
Hoje não trago boas notícias. Depois de 18 dias limpo acabei sucumbindo às fantasias, o que me levou ao PMO em um efeito dominó do qual não consegui resistir. Nos primeiros dias eu estava tão confiante, parecia ter a coisa sobre controle. Porém, nos últimos dias as fantasias e o desejo foram tomando força de forma gradativa até o momento em que perdi completamente as rédeas da situação.

Vou fazer uma reflexão detalhada sobre a minha queda para entender o que deu de errado nesse reboot. Em breve compartilharei com vocês os detalhes do meu recomeço. No geral, estou bem chateado de ter que voltar a estaca zero e perceber que o vício tem um domínio tão grande sobre mim.
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em 22/11/2019, 22:17
LeonCage boa noite!
Coloque o contador de dias, não sei se servirá para ti mas a cada dia que entro aqui e vejo pelo contador os dias passando cada vez mais e eu não sucumbindo a PMO eu fico extremamente feliz e me dá mais confiança em continuar no Reboot.
Em meu primeiro Reboot quase alcancei 280 dias, acredito que você também pode. Força.

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