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marcosbanc
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Os LGBTS também conseguem  Empty Os LGBTS também conseguem

em 16/3/2020, 09:31
Alguns já me conhecem por aqui, outros não. Me chamo Marcos e como muitos de vocês, sofri anos a fio em decorrência desse vício. Eram noites em claro, me masturbando, ejaculando e posteriormente dormindo, a dopamina era descarregada todos os dias de maneira que eu não conseguia passar mais que alguns (poucos) dias sem me masturbar (+plus vendo pornografia) pois sem pornografia meu pênis sequer se mexia.
A cada dia que passava eu precisava de mais dopamina e mais estímulo para o meu pênis reagir, aquelas MOs no chuveiro quando era adolescente (hoje tenho 24 anos) já não eram suficientes. Transar então, jamais. Eu sou gay, mas passei muito tempo sem me assumir, o que acarretou diversos problemas: 1º que o fato de eu não me aceitar como homossexual gerava uma frustração muito grande dentro de mim, pois eu nunca escolhi ser gay, mas sei que sou desde que tenho consciência. 2º eu precisava suprir esse buraco de frustração de alguma maneira, daí que apareceram os vídeos como uma forma de escape. 3º como eu não conseguia pedir ajudar, fui acumulando meus sufocos e gritos dentro de mim, o que lá na frente me geraria problemas.
Well, comecei meu diário começo de 2018 após tentar ter relações sendo ativo e meu pênis nem dado sinal de vida (um trauma, e só quem passou sabe o que é se sentir impotente em todos os sentidos), mas com pornografia ele subia muito bem. Os primeiros 15 dias são os mais difíceis, o tesão era muito grande, era muito difícil. Com 20 dias notei melhoras, as ereções matinais voltaram, as poluções apareceram, comecei a notar mais detalhes nos homens, a prestar mais atenção nos corpos, nos jeitos, era tudo novidade pra mim. Comecei a me permitir, baixei um app de pegação, conheci pessoas legais, outras nem tanto, e começaram a rolar algumas coisas, mas nada com penetração pois eu sempre me senti muito inseguro, às vezes até estava andando bem mas só de pensar em colocar a camisinha meu coração disparava de uma maneira sem igual e eu broxava, meu tesão sumia e eu ficava desesperado. Fiquei desta maneira um bom tempo, fiz mais de 120 dias de reboot, consegui transar efetivamente uma vez e o resto era pegação (o que não deixava de ser muito bom).
Entre o dia 120 e 130 eu caí, comecei a ver pornografia novamente, o tesão era incrivelmente forte e eu não conseguia controlar de maneira alguma e muito menos dar vazão se não fosse pelo PMO. Aqui eu estava mais ou menos no mês de julho/2018, e mesmo em queda eu conseguia fazer pegação, tinha ereção, mas ao longo dos meses os benefícios já não estavam mais lá, DE novamente.
Decidi morar só e as coisas à princípio só pioraram, pois agora eu poderia me masturbar sem me preocupar com alguém dentro de casa. Comecei a desenvolver problemas de ansiedade muito fortes (após agosto/2018), meus pais perceberam e pediram pra eu procurar um psiquiatra. Final de 2018 procurei um e fui diagnosticado com TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizado) onde eu achava a todo momento que algo ruim ia acontecer comigo, meu coração disparava por nada, antes do diagnóstico passei praticamente o ano de 2018 inteiro passando mal e cheguei a ser levado para o hospital carregado e quase desmaiado devido a ansiedade.
Conversei bastante com o psiquiatra e ele achou por bem me receitar um antidepressivo para me ajudar na ansiedade, e juntamente com ele me encaminhou para o psicólogo. Antes de começar as sessões com o psciólogo (que aconteceria acho que uns 10 dias pra frente) comecei a tomar o antidepressivo.
Se eu estava reclamando da ansiedade, o remédio me trouxe efeitos muito piores que a própria ansiedade em si. Diarreia, vômito e uma apatia extrema, eu não me sentia feliz, triste ou qualquer outra coisa, foi uma das piores sensações da vida. E o pior, eu não conseguia ejacular de jeito nenhum, tive anorgasmia, e quando ejaculava não sentia absolutamente nada. Eu não desejo isso pro meu pior inimigo. Não ter sentimentos é muito pior do que sentir em excesso.E não gozar, então?
Passei muito mal e não consegui continuar a medicação, decidi largar de mão (não façam isso) e dar um tempo de tudo aquilo. 2 semanas e nada dos efeitos passarem, 1 mês após tentei ejacular e sentia parcialmente. Fiquei com medo de ter um efeito permanente na libido, então pra me testar comecei a ver pornografia como forma de teste e pra me ajudar a aumentar a libido (o que piorou tudo).
Os efeitos da medicação passaram, tentei novamente ter relações em fev. 2019 com uma pessoa que eu estava perdidamente apaixonado, resultado? DE extrema, foi um golpe no meu estômago, brigamos por outros motivos e nunca mais nos falamos. Desisti de tentar algo com algum ser humano, me isolei e fiquei apenas na PMO.
Nesse meio tempo acabei assumindo minha sexualidade pra minha família e, ótimo, menos um peso pra mim.
Novamente em junho de 2019 tentei ter relações, DE forte, nem o sexo oral era atrativo pra mim. Em agosto eu programei uma viagem com minha mãe, alguns dias antes de viajar me bateu um choque de realidade, uma ansiedade tão extrema que eu só conseguia chorar, foi muito dolorido, eu nunca havia me sentido tão pra baixo na vida, chorei muito mesmo, pensei que: ou o efeito da medicação não havia passado e minha libido estava terminantemente acabada ou era apenas o efeito da pornografia e seus malefícios.
No meio da viagem novamente a ansiedade atacou, não conseguia dormir, tentava esconder da minha mãe a vontade de chorar todo o tempo, mas consegui contornar a situação até chegar em casa. Chorei muito, desabei. Dessa vez não era somente os problemas de cunho sexual, mas o acumulado da vida toda. Decidi que só havia um caminho possível: Largar a pornografia.
Chorei o que tinha de chorar, coloquei na minha cabeça que a pornografia era a pior doença que existia. Decidi também que estava na hora de procurar ajuda profissional, dessa vez um psicólogo, achei qualquer um que eu vi pela internet, marquei e fui. Fui sincero, coloquei as cartas na mesa, pedi ajuda. Ele me ouviu e me explicou muita coisa sobre a pornografia e como ela age no nosso cérebro, como aquele vício deturpa nossa noção de realidade. Tivemos uma conversa muito legal.
Voltei ao fórum e retomei meu diário em agosto de 2019. Nessa nova fase eu já era assumido, tive ajuda profissional de alguém que conhecia do assunto, excluí do meu reboot a tal da MO solitária (um dos motivos da minha queda em 2018) mas continuei com os apps de pegação. Segui! os primeiros 15 dias difíceis, depois foi melhorando, após 20 dias minha libido morreu e passou um bom tempo assim, mais de um mês eu acho, e eu não me importei. Pesquisei em vários fóruns internacionais como o nofap a respeito disso, vi que há pessoas que tem períodos de flatlines muito extensos, alguns chegando a meses e até 1 ou 2 anos.
Minha libido começou a voltar aos poucos, fiz 1, 2, 3 meses. Nesse período minha vontade de ver pornô caiu mais de 90% em comparação com meu primeiro reboot, até hoje eu não entendo bem o motivo, mas acredito que o vício em pornografia se instala quando há uma lacuna dentro de você. Em 2019 eu era uma pessoa já assumida, morando só, com mais atitude e muito mais feliz comigo mesmo pois a terapia me ajudou em todos os aspectos da minha vida, eu já não precisava mais me esconder, ser quem eu não era. Nesse mesmo período fiz uma mudança radical, perdi amigos, fiz outros, viajei pra onde quis, mudei muita coisa. Acredito que a ansiedade veio pra me mostrar que algo precisava ser feito e de fato eu fiz, supri a lacuna dentro de mim. E o vício parou de fazer sentido.
A medida que fui me aproximando do dia 100 do reboot, fui me permitindo. Consegui uma relação sexual sendo ativo, fiquei ereto toda a ereção e gozamos juntos, que conquista! Notei que muitas vezes, lá no passado, eu estava pronto, mas não era a pessoa certa.
Muitas vezes é a posição que é ruim, o momento está inapropriado ou a pessoa não deu química com você. Nem sempre a culpa é sua e broxar é normal (dentro do possível).
Daí em diante criei mais confiança pra tentar mais vezes e fui conseguindo. Hoje estou com 8 meses longe da pornografia, muito mais confiante e transando como uma pessoa completamente normal. E a vontade de ver pornografia? Desde agosto de 2019, é quase nula, mas sempre fico atento.

É possível sim.


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Os LGBTS também conseguem  Empty Re: Os LGBTS também conseguem

em 16/3/2020, 17:25
Oi, marcosbanc!

Que história! Parabéns pela conquista! Imagino o quanto foi difícil transpor todas essas barreiras para que hoje você possa se sentir um vencedor!

Tenho certeza que esse relato impactará a muitos e servirá de motivação para seguirem firme!

Que o seu pós-reboot continue iluminado!

Um forte abraço!

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Os LGBTS também conseguem  Empty Re: Os LGBTS também conseguem

em 28/3/2020, 00:41
AAAAAAHHH! Ícone acessível, com certeza conseguimos e seu relato é uma grande inspiração para todos as pessoas desse fórum, sejam LGBTQ+, ou não, porém é muito importante sermos representados nesse espaço e sabermos que pessoas com dilemas parecidos com o nosso existem, e que podemos superar esse vício e nos superar também. Por muito tempo fomos vistos como sinônimo de PMO, prostituição e sexualização, e isso reflete em nós de diversas formas. Em nosso "meio" a P é banalizada e somos banalizados juntos. Nos vídeos asquerosos que se estendem por todo o mundo nossos corpos são vistos como objetos por aqueles que nos assistem, que muitas vezes são os mesmos que nos julgam, ofendem e matam. É muito importante termos essa presença nesse fórum e a oportunidade de quebrarmos esses estereótipos e mudarmos essa visão, que até os próprios LGBT+ acabam tendo de si mesmos, fazermos nossa parte e conquistarmos nosso espaço nesse mundão.

Seu relato é uma grande história de superação, e você passou por muita coisa. Fico feliz que tenha conseguido se superar tão bem! Também concordo com você sobre a P ser uma escapatória de problemas maiores que enfrentamos em nossas vidas, é sempre necessário nos atentarmos a isso também, e com certeza a terapia nos ajuda muito.

Espero que daqui para frente você continue firme, focado em sua nova vida, e claro, sempre atento.

Beijinhossss e abraçosssss virtuaaaaiisss! I love you
Até maaais!

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Os LGBTS também conseguem  Empty Re: Os LGBTS também conseguem

em 12/4/2020, 06:21
Meu caro Marcosbanc.

Não acompanhei o seu diário, mas achei a sua história incrível. Parabéns por toda garra, força de vontade e fé, você conseguiu se libertar desse vício, e com certeza sua vida será bem mais leve e feliz.

Obrigado por trazer a sua história de sucesso e inspirar várias pessoas (inclusive a mim) a buscar a libertação desse vício. Desejo muita luz, prosperidade, amor, saúde e paz na sua vida, meu amigo.

Um grande abraço.

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