Diário de Anteros

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1/11/2020, 00:14
Oi
É meio estranho compartilhar sua história num fórum de internet. Não que eu ache essa atitude estranha, é só algo que eu nunca me imaginei fazendo; na verdade eu nunca me imaginei viciado em qualquer tipo de coisa tmb, eu sempre relacionei o vício a drogas, álcool, cigarros, sabe? Esses tipos de produtos externos mais genéricos. Só que, o que gente realmente esquece é o fator comum de tudo isso, de todo o vício: eles sempre atingem o ser humano; eu li uma citação nas notas de rodapé de um livro de Santo Agostinho, que dizia: "até na vida mais serena, de si mesmo o vício é pena" E ali eu percebi que o meu vício não se encontra na pornografia nem na marturbação, ele se encontra dentro de mim; é algo que eu não consigo abandonar por causa da minha mediocre condição de ser humano, orgulhoso e egoísta, produto dos erros que eu mesmo cometi.
Enfim, tirando divagações nem sempre necessárias, a minha história começou quando eu tinha entre 12 e 13 anos (uma idade que eu considero até atrasada em relação ao que vejo dos relatos por aí), e eu era uma criança que não dava muita bola pra esse tipo de coisa. E então, por curiosidade, num momento, eu simplesmente fui. Incentivado pelo discurso de que aquilo era "saudável", de que aquilo deria bom para me "conhecer" melhor. Se eu tivesse a chance de espancar quem me disse aquelas coisa eu não perderia. Mas obviamente, o enganado fui eu, e a culpa e a dor dessa decisão recaiu em mim um tempo depois; já não adianta mais tentar jogar a culpa nos ombros de outras pessoas. Eu era um menino de dentro da igreja, ingênuo e, até certo ponto, feliz. Eu me lembro da infância com carinho e nostalgia até hoje, talvez com saudade de quem eu era. E então desilusões surgiram na vida, e como alguém já programado para ser um escravo da "felicidade", eu não aceitei bem certos acontecimentos da vida, o que me levou para um caminho de negação e rejeição de tudo aquilo que eu guardei com cuidado no coração. Sob o pretexto de liberdade e na busca pelo prazer camuflado pelo nome "felicidade", eu deixei os meus valores (que como disse, já estavam contaminados pela desgraça) e fui em busca de coisas que não me limitavam. Aí as coisas realmente pioraram. Eu passei a me masturbar todos os dias, consumindo pornografia, por horas. E a vida seguiu assim, desulidido com as pequenas e tenras desgracinhas que me aconteceram (realmente, hoje eu vejo o quão retardado eu era, larguei tudo que eu acreditava sob a desculpa de me sentir sozinho, triste e confuso, draminha adolescente sabe? Só que na verdade, provavelmente era isso que eu queria, eu só peguei a desculpa mais idiota que apareceu na minha frente e a usei pra tomar uma vida que eu "desejava"), eu busquei a completude naquilo que me fazia "bem", entre tantas atividades, como desenho e outras formas de expressões mais artísticas, e entre vícios que desenvolvi nesse tempo. E isso foi até abril deste ano. A quarentena não foi algo que me agradou, mas foi algo que eu agradeço. Veja bem, eu não estou exaltando as mortes e as desgraças que aconteceram nesse periodo; eu estou dizendo que foi um período de boas mudanças em mim.
Nesse tempo onde eu estava meio "perdido", eu me desvinculei de qualquer resposta transcendental que me aparecia. Eu, mesmo sabendo que uma das grandes causas do meu "sofrimento" era a falta de propósito, rejeitava qualquer ideia que podia me trazer tal propósito. E é por isso que hoje eu vejo o quão ridículo era aquilo que eu achava que seria o fim do mundo pra mim. Numa noite de abril desse ano, eu tive uma experiência transcendental; uma daquelas que me fez chorar por horas sem motivo algum; uma revelação que me fez enxergar toda miséria que eu tenho dentro de mim. Eu não sei se o pessoal aqui do fórum tem alguma religião ou não (nem como veem as pessoas que tem) mas esse foi o fator decisivo para eu decidir largar, não só o péssimo hábito do consumo da pornografia e da masturbação, mas todos aqueles outros costumes que faziam mal a mim e àqueles ao meu redor.
Eu estou tentando me livrar disso a 7 meses. O máximo que eu consegui ficar sem foram 22 dias. Sabe, o dasanimo bate. Eu vejo que mesmo tendo passado por uma experiência que mudou minha vida, eu ainda não estou transformado, eu ainda não aceitei ser transformado. Por que eu sei que a questão do vício é decisória. Eu penso que há um motivo pelo qual passamos por certas coisas na vida, só que quando imagino que é possível eu nunca superar esse vício, eu sinto medo. Eu penso: se eu não sair dessa, o que Deus vai me dizer no fim? Que eu nunca fui bom o suficiente pra simplesmente me arrepender? Isso mexe comigo.
Eu caí hoje. Espero ter forças suficiente para não cair amanhã, pois eu sei o quão mal isso me faz.
Obrigado pela chance de contar minha tragetória, espero conseguir sair dessa, meu diário começa hoje.

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Ivan Karamazov
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1/11/2020, 18:14
Caramba, eu já tinha comentado em um relato anterior aqui no fórum sobre como eu me identifiquei com tal relato mas o seu foi algo muito retrospectivo pra mim.

Assim como você eu comecei um pouco mais tarde com 14 anos, não entendi a seriedade que o vício da pornografia e por isso acabei me afogando nessa lama movediça. Tô principalmente aqui por um motivo religioso e pessoal também, penso a mesma coisa sobre como Deus pensa sobre quem eu me tornei e se eu realmente já me arrependi.
De qualquer forma eu venho conseguindo conquistas única como mais de duas semanas fora do vício (17 dias pra ser exato), e espero realmente que essa vez seja a oportunidade de ficar distante desse lamaçal.

Espero que essa seja a sua vez de alcançar metas e conquistas antes não alcançadas e conseguir progredir de forma disparada, pra que um dia você possa falar "Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé."

Sucesso.

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1/11/2020, 23:31
Ivan Karamazov escreveu:Caramba, eu já tinha comentado em um relato anterior aqui no fórum sobre como eu me identifiquei com tal relato mas o seu foi algo muito retrospectivo pra mim.

Assim como você eu comecei um pouco mais tarde com 14 anos, não entendi a seriedade que o vício da pornografia e por isso acabei me afogando nessa lama movediça. Tô principalmente aqui por um motivo religioso e pessoal também, penso a mesma coisa sobre como Deus pensa sobre quem eu me tornei e se eu realmente já me arrependi.
De qualquer forma eu venho conseguindo conquistas única como mais de duas semanas fora do vício (17 dias pra ser exato), e espero realmente que essa vez seja a oportunidade de ficar distante desse lamaçal.

Espero que essa seja a sua vez de alcançar metas e conquistas antes não alcançadas e conseguir progredir de forma disparada, pra que um dia você possa falar "Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé."

Sucesso.

Obrigado irmão, me sinto reconfortado em saber da existência de outros companheiros que lutam pela mesma causa que a minha. Eu, até hoje, não descobri alguém que tentasse abandonar esse vício pessoalmente, ainda mais por motivos religiosos. O mundo é meio alheio ao e paralelo à essa luta; logicamente, não é um assunto que pode ser discutido sem pudores ou cuidado, por isso é meio díficil conversar com pessoas que a gente conhece. Realmente aprecio um contato contigo irmão, busquemos pelo certo.
Sucesso pra ti também parceiro, é nesse tipo de lugar que podemos encontrar ajuda e palavras de esperança e fé, um lugar para buscarmos, juntos, uma humanidade maior daquela que se tinha ontem.
Muito obrigado!

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2/11/2020, 00:28
Hoje foi um bom dia. Apesar de observar que é necessário foco para abater até aquilo que de menor traz esse vício, eu percebi que a luta é simples. Claramente não é facil, mas é simples. E eu imagino, por que não conseguimos sair dessa? Eu não sei a resposta. Muitos dizem que essa questão serve de alívio para a dor cotidiana. E sobre essa resposta eu enxergo duas problemáticas. A primeira é: o quão desumano é querer escapar da dor? Eu acho que não é errado evitar a dor. Errado é buscar um prazer que não é seu.
Eu acho que desumano é depender da "felicidade" e do prazer, se tornando depende de tais sentimentos. Eu nunca simpatizei com escravidão dos homens em relação àquilo que lhe faz bem. Eu acredito que se deve sentir, seja dor ou prazer, tudo aquilo que é seu. Negar a dor e buscar desenfreadamente o prazer, de qualquer forma e sem moderação (e aqui eu digo "moderado" no âmbito daquilo que me é possível, correto e meu), é desumano nesse sentido. Veja, eu nunca fui o mais atraente sexualmente, e sim, eu posso ter sido influênciado por isso, tanto antes quanto durante o meu vício. Só que essa é uma dor que eu tenho que suportar, porque é algo meu. Eu tenho condições de mudar esse fato, eu tenho condições de transformar a minha vida, e isso é algo que eu busco, as vezes com mais intencidade, as vezes com menos. O fato é que isso leva tempo; demanda esforço. Vejam meus amigos, a verdade é que tentamos nos agarrar desesperadamente à primeira experiência, coisa, que nos afasta temporariamente da dor. Mas quando fazemos isso com algo que não nos pertence; algo que não foi feito pra gente, algo que o Criador não dispôs a nós como nosso; aquilo que deveria driblar a dor, começa a causá-la, e sabemos que a atitude que tomamos é equivocada, essa informação está dentro de nós; e também sabemos que aquilo nunca vai nos livrar dos nossos problemas. A solução é abraçarmos a dor que nos é dada é abraçarmos tal dor durante todo o período de mudança. E isso também é simples, porém é difícil para pessoas como nós. Todos sabemos o quão dependentes somos dessas "válvulas de escape"...
A segunda problematização que se encontra na resposta que geralmente é dada para o problema da masturbação e pornografia é relativa ao vazio ontológico do Homem. Todo Homem nasce ôco. Lhe falta um pedaço; lhe falta aquilo que um dia já teve e perdeu, lhe falta o Criador. Eu li num livro de Blaise Pascal a seguinte proposição: "Todos os homens buscam a felicidade. E não há exceção. Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes. O desejo só dá o último passo com este fim. É isto que motiva as ações de todos os homens, mesmo dos que tiram a própria vida." Veja, essa frase parece que seria mais bem colocada na primeira problemática, mas o pensador desenvolve tal noção e a expande ao ponto de ligá-la ao vazio residente em cada homem, mostrando a conexão que existe entre tudo aquilo que fazemos e tudo aquilo que buscamos. Evitamos a dor numa vã tentativa de suprir o vazio existente em nossos coraçoes, depositando, no prazer imediato, as esperanças de algo que só pode ser encontrado no próprio Deus: a verdadeira felicidade.
Encontra-se, na justificativa para nossos vícios, um esquema de "ato e motivação": praticamos a masturbação delirando sobre um prazer que não nos pertence, na busca de um preenchimento daquilo que não pode ser preenchido por coisas desse mundo.
A verdade meus amigos, é que o Homem sente um vazio cósmico, e tenta suprí-lo de todo o seu entorno.
Eu quero ser mais humano. Mais Homem. E por isso preciso renunciar àquilo que me prende a uma vida de frustrações, que serão eternas por si só.
Eu espero conseguir resistir ao amanhã, aprender com erros de ontem e permanecer firme hoje.
Muito obrigado.

(Peço perdão pelas divagaçôes filosóficas KKKKK)

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2/11/2020, 20:26

Oi, Anteros!

Que bom que você chegou! Seja muito bem-vindo ao Fórum "Vício em Pornografia, Como Parar?". Aqui, ao mesmo tempo em que construímos um novo caminho por meio da reversão do vício, também construímos uma família. Por isso, desejamos que você se sinta bem entre nós, ao mesmo tempo que encontre oportunidades e condições para aprender e crescer.

Confira algumas orientações, caso já esteja adotando algumas delas, parabéns!

  • Conheça a legislação do Fórum: Regras de Participação, Orientações Básicas e Proibições.

  • Veja como gerenciar seu diário em Como criar um diário no Fórum.

  • Conheça o Guia Introdutório e aprenda o básico sobre o processo de reversão do vício ou adquira o Curso Online Programa Revert (Super Recomendado) para ter acesso a informações mais completas.

  • Confira o arsenal tecnológico para te auxiliar na proteção contra o vício: Configuração do Clean Browsing; Bloqueamento via Hosts; Inter App Control Pro (Pago); Blok Supreme (Pago); Download do Qustodio (A versão gratuita já é suficiente). Para maiores informações e/ou encontrar outras opções acesse a Seção Ferramentas e Bloqueadores.

  • Conheça os navegadores (para smartphone) que já vem com proteção contra o vício e escolha um: Spin, Kids Safe Browser (Pago) e Mobicip. Instale o NetAngel para bloquear a pornografia em seu smartphone, bem como o AppLock que pode ser utilizado para bloquear o serviço de distribuição de aplicativos, as configurações do smarthpone, dentre outras coisas. Para maiores informações e/ou encontrar outras opções para Android, iOS ou Windows Phone acesse a Seção Ferramentas e Bloqueadores.

  • Dica: Cadastre um e-mail temporário descartável em seus softwares, pois, assim, você evita uma possível recuperação da senha. Utilize também um método de ocultação de senha, para evitar que você desative os bloqueadores em um momento de fissura. Acesse: Método para esconder a senha.

  • Instale um contador de dias: Tutorial Contador de Dias, para te situar em sua jornada.

    Avalie também a necessidade de abandono de outros vícios que podem de alguma forma te atrapalhar no processo, como masturbação, álcool, outras drogas lícitas e ilícitas, games, comidas e outros.

  • Priorize as atividades de religação, tais como: socialização, trabalho voluntário, trabalho manual prazeroso, leitura de livros, mindfulness, meditação, yoga, musculação, natação, ciclismo, pilates, hidroginástica, crossfit, boxe, lutas diversas, dança, caminhada, corrida, zumba, voleibol, futebol e muitas outras. Não foque muito em quantidade, mas na qualidade.

  • Não desperdice o seu tempo em redes sociais, pois muitas delas atuam como verdadeiras "playboys digitais", tais como: facebook, instagram, twitter, pinterest e outras. Evite também a navegação a esmo.

  • Não abandone o fórum, atualize constantemente o seu diário. Certifique-se de ter relatado toda a sua história de envolvimento com a PMO, para que, assim, possamos ajudá-lo(a) da melhor forma. Iremos empenhar todos os nossos esforços para te assistir, e sempre que puder ajude outros aqui também.

Abraços!
Vitoriosa

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3/11/2020, 00:18
Esse é o meu segundo dia. Também acho que foi um bom dia. Me ocupei bastante e não tive a mínima vontade de praticar nenhum de meus vícios. Fui a um churrasco e interagi com várias pessoas. Eu gosto bastante de deixar alguma reflexão aqui como forma de anotar meus pensamentos em relação ao vício, e hoje eu gostaria de falar sobre o desanimo que o vício nos traz e motivo que nos joga pra frente, mesmo desanimados.
Vejam, eu estou aqui pelo simples motivo de ter tido uma catarse religiosa. Foi numa noite qualquer, deitado na cama, pensando sobre as coisas da vida, que eu, afastado de Deus por 3 anos, tive a experiência que mais marcou a minha vida até hoje. Aquele dia eu vi e percebi muitas coisas que realmente me fizeram pensar e refletir seriamente sobre diversas questões. É verdade que eu pensava ter refletido tudo que devia refletir sobre tais assuntos antes, mas eu estava enganado, eu podia até sentir o peso da existência em minhad costas, mas eu nunca o compreendi de verdade. Eu, um cara que pensava ser profundo e complexo, era superficial e simples. Aquele dia eu senti todo o peso do mundo, e, num instante, ele já não estava mais sobre mim. Aquele dia eu reconheci minhas fraquezas e vícios, e achei que podia superá-los facilmente. Só que o tempo passou, e mesmo que o resultado daquela experiência ainda permanecesse em mim (coisa que eu acredito que permanecerá até a minha morte), a emoção da catarse já tinha passado. E, como já deve ser previsto por vocês, eu fraquejei e caí. Eu me senti incapaz, de tudo e qualquer coisa; ali eu percebi o quão dependente eu era dos meus vícios, e não só da pornografia. E desde aqueles dias eu me pergunto se um dia conseguirei sacrificar tudo aquilo que me é importante por aquele que me salvou. E eu me senti perdido.
Todos nós nos sentimos assim quando caímos, independente se somos religiosos ou não, e eu me pergunto: "Por que?" E a resposta pra essa pergunta é bem simples, nos sentimos perdidos porque percebemos que somos reféns de nós mesmos, porque sentimos a maior solidão que um homem pode sentir (tema que posso tratar separadamente outro dia), porque duvidamos de nós mesmos. Quando caímos, vemos que não somos tão fortes quanto pensamos e imaginamos se um dia seremos; e essa dúvida aumenta ao passo que aumentam nossas quedas. Nos sentimos perdidos porque estamos desesperançosos. Porque fazemos o mal que não queremos e nos vemos fora do controle disso.
Só que no fim é possível levantar a cabeça de qualquer jeito. E isso é o que mais me fascina. Eu não me lembro de quantas vezes eu me desesperei, e no fim eu acabei chegando a seguinte conclusão: EU PRECISO, POSSO, E VOU CONTINUAR. Ter a coragem de se levantar ainda é ter esperanças, é ser cabeça dura o suficiente para não aceitar, de jeito nenhum, a condição em que nos encontramos. Cada um tem sua mola propulsora, todo mundo tem um motivo para querer sair dessa. E eu sei que é Deus aquele que me joga pra frente mesmo quando já não existem mais forças em mim pra isso. Qual é a sua mola? Qual é a força que te lança pra frente? Qual é a força monstruosa que te acompanha pra realizar um feito tão doloroso e tão fascinante pra qualquer que te vê?
Eu sei que minha força reside Naquele que acredita em mim. E por isso eu preciso acreditar cegamente nele; por mais que falhe, por mais que eu erre, por mais que eu tropece, por mais que tudo que se encontra ao meu redor seja escuro, eu sei que "tudo posso naquele que me fortalece". E esse verso nunca fez tanto sentido pra mim.
Obrigado amigos, eu espero sair dessa e ajudá-los com isso também. Agradeço mais uma vez pela chance de expressar tudo aquilo que está no meu coração em relação à dor que sinto sob o jugo do vício. Nós vamos conseguir. Nem que isso me persiga até o caixão, não desistirei.

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3/11/2020, 22:46
Esse é o meu terceiro dia. Eu devo dizer que a tentação começou a me oprimir. Ignorá-la não foi excepcionalmente difícil, já resisti a dias muito mais díficeis. Eu mantive o foco e sempre que a tentação me atormentava eu mantinha o foco no objetivo. Eu costumo identificar 3 sentimentos que aplacam minha compulsão: a determinação (que costuma ser bem falha sozinha), a raiva, e a tristeza.

Hoje eu gostaria de falar do mais especial pra mim: a tristeza.
Eu não sei bem o que acontece, mas a tristeza não me provoca gatilho algum. Eu acho que esse sentimento me proporciona momentos absurdamente introspectivos, que acabam por minar minha libido. Eu acho que tais momentos depressivos (aqui eu uso a palavra como sinônimo de tristeza) me provocam extrema sobriedade. São variados os motivos que me levam a tal sentimento: pode surgir das cenas mais cotidianas até àquelas mais extraordinárias. Desde situações costumeiras, como viagens, ao ouvir músicas, a refletir acerca do que me rodeia, a divigar sobre epifanias que geralmente me surgem à mente com estou com pessoas que gosto, até fatos e questões mais existenciais, que realmente tocam o coração, como suicídios, ou abandonos, como também reflexões a respeito da natureza humana ou da natureza da consciência.

Eu não tenho um fetiche pela tristeza, é só que esse sentimento eu guardo com carinho. Eu realmente acho que esse sentimento seja um dos mais Humanos, ou até mesmo um que pode reunir toda a criação (eu expando a tristeza a todo o nível da existência, pois eu generalizo o sentimento e o levo a tudo aquilo que poderia não ter um propósito, só que tem, exatamente como eu). O apreço que nutro por esse sentimento vem de muito tempo; eu, infelizmente já tive pensamentos suicídas tendo sido diagnosticado com depressão, condição que carreguei por três anos (hoje eu vejo que aquilo não era tudo que eu pensava ser, talvez fosse mais drama de adolescente mesmo, pois eu não conhecia a verdade que conheço hoje), e esse não é um fato pelo qual me orgulhe, eu perdi muitos bons momentos por causa disso, deixei amigos de lado, amigos que poderiam me ajudar; amigos os quais eu não gostaria de ter perdido para o tempo. Só que, mesmo com toda essa condição, eu nunca abracei a ideia de negar minha dor e procurar cegamente a felicidade (Deus a enviou naturalmente), eu achava, e ainda acho, que "sentir" nos humaniza, nos eleva, nos apresenta a nós mesmos. A tristeza sempre me fez pensar de mais nas coisas, e isso eu considero uma minhas maiores bençãos.

Pra mim esse sentimento não é ruim. Eu me sinto mal, mas eu não me sinto errado, sabe? Eu me sinto um Homem (como espécie mesmo). E eu acho que essa noção me ajuda na luta contra o vício exatamente por essa característica, a tristeza me lembra que ela não é ruim, e que ela me humaniza, se tornando o completo oposto daquilo que são meus vícios.
Eu sempre fui muito sensível para assuntos emocionais; talvez pela minha instabilidade emocional, que eu vejo naturalmente em mim.
Eu não sei por que, mas sempre aceitei minha dor, de braços abertos, nunca a rejeitei, sempre a acolhi como parte de mim (grande parte de mim), e isso é algo que se contrasta com meus vícios também.

Eu nunca vi na tristeza um problema, eu sempre a vi como um remédio, porque, assim como o amor, a tristeza tem a capacidade de nos unir. E esse fórum é prova viva disso. Estamos aqui pois estamos tristes com as condições em que nos encontramos. E, diferente do que possa parecer quando digo o exposto anteriormente, não estamos aqui para fugir da dor, nem evitá-la, nem destruí-la, estamos aqui para lutar, JUNTO com a dor e a tristeza, sentimentos que nos revelam nossas próprias mazelas e podridão. Pois a tristeza não é um fim em si mesmo, nunca corremos dela, corremos do que a causa; ela é um alerta de que algo não está certo; e trazendo uma grande quantidade de auto-conhecimento, se torna um sentimento edificante para nós.

Agradeço à oportunidade que este fórum me proporcionou de contar aqui tudo aquilo que eu penso sobre meus vícios e sobre as coisas que o cercam. Peço perdão pela viajada filosófica/emocional completamente superficial, sei que este não é o objetivo do fórum, mas eu sempre quis escrever meus pensamentos a respeito dos meus vícios, e ainda ajudar aqueles que estão na mesma também.
Amanhã é um novo dia, peço a Deus que me dê forças suficientes para resistir a tentação de um novo dia, que sei que virão mais fortes que as de hoje.

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4/11/2020, 19:26
Se foi o quarto dia e eu caí.

O que eu sinto é uma mistura de emoções como desapontamento, desânimo, tristeza, vergonha, e solidão. E ainda, como se já não bastasse, me sinto perdido também. E me sinto assim porque já não sei mais o que fazer. As coisas parecem que não vão melhorar.

Eu não vou me ater a todos os sentimentos que aqui apresentei, pois eu gostaria de falar sobre um de cada vez. Hoje eu vou falar da solidão.

Quando eu era mais novo eu associava a solidão a estar sozinho, simplesmente, nunca de uma maneira mais profunda. Eu pensava que se sentir sozinho era devido a não ter companhia para fazer as coisas que se gosta, ou simplesmente não estar fisicamente com ninguém. Ao crescer ru percebi que é possível sentir solidão mesmo cercado de pessoas, principalmente se você não pertence ao grupo de pessoas ao seu redor. Eu achava que estava sozinho pois não tinha ninguém capaz de me entender, ou que eu ninguém poderia querer minha presença por perto. Só que esse ano eu conheci a verdadeira solidão. A dor maior do mundo.

A solidão vem, em sua forma mais pura, das situação onde só você pode fazer alguma coisa sobre você mesmo. E eu seoube disso quando descobri meu vício. Somente eu posso fazer algo pra mudar isso. Todas as coisas em relação a esse vício dependem completamente de mim, e de mais ninguém. Eu acredito que essa solidão seja a mais profunda possível pois nem mesmo Deus pode fazer algo pra tirar essa responsabilidade de você. E é por isso que caímos nessa terra. Deus pode estar junto de ti na batalha, Deus pode te motivar, pode lhe provocar as catarses que forem. Tudo, no fim, depende de você, sozinho. Ninguém mais pode carregar esse fardo.

E é exatamente por isso que, quando você cai, tudo fica mais escuro. É a solidão batendo na sua porta e dizendo: "Tudo isso depende só de você, e você não consegue". É por isso que quando eu caio, eu me sinto perdido; saber que você é o ÚNICO que pode fazer qualquer coisa pra te tirar disso, e mesmo assim falhar, é o sentimento mais solitário do mundo, é devastador.

Diga-me, como eu posso não me sentir descrente de mim mesmo nessa situação? É muito fácil encorajar as outras pessoas e mandar mensagens de apoio, eu mesmo faço isso. Mas é por causa dessa solidão que, mesmo tendo o mundo inteiro confiando em você, mesmo tendo até Deus confiando em você, nada disso importa, pois você já parou de confiar em si mesmo; você, aquele que sabe que é o único responsável pelos próprios atos, sabe que as coisas não estão indo bem e por isso desacredita de si. É inevitável. Eu não sou um coitado, eu poderia ter parado, eu poderia não ter caído, eu tinha os meios, eu tinha as ferramentas, eu tinha o caminho, EU SABIA O QUE TINHA QUE FAZER E MESMO ASSIM NÃO FIZ.

Eu tenho medo, muito medo. Tenho medo de ficar nessa pra sempre, caindo e levantando, e no fim, não conseguir. Tenho medo do que dizer a Deus na minha morte. Tenho medo de não ser possível pra mim. Tenho medo de que todo esse "esforço" seja em vão. Tenho medo de não ser forte o suficiente pra sair dessa. Tenho medo de não querer sair disso. Tenho medo de esfriar minha luta. Tenho medo de ficar inerte e chegar no ponto de não me arrepender mais daquilo que me faz mal. Tenho medo de não mudar. Tenho medo de nunca achar o jeito certo. Tenho medo de não crescer nessa batalha. Tenho medo de voltar a ser o que eu era e saber que isso é errado.

Eu peço perdão ao meu Senhor, mas eu já não sei mais se isso é suficiente.

Eu não quero desistir. Eu não quero mais cair. Mas parece que eu sei que daqui um tempo eu vou mais me sentir assim. POR QUE?
Eu não aguento mais, não suporto a ideia de ficar nesse ciclo infinito. Não suporto a ideia de que eu regrida na batalha, coisa que eu sei que está acontecendo.

Isso me faz tanto mal e minha cabeça não entende. Por que eu passo por isso e meu cérebro parece se esquecer? Por que o bem que quero fazer, não faço, mas o mal que não quero fazer, esse sim o faço?
Eu acabo me sentindo o pior, o mais incompetente, o mais ingrato.
Estou nessa pelo meu Deus, e vejo não consigo sacrificar um simples hábito para ficar em paz com aquele que me salvou. O pior pecador é esse que vos fala, amigos, pois ele sabe de todo o mal que isso faz a ele mesmo, ao o relacionamento dele com Deus, e mesmo assim não consegue parar.

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Ivan Karamazov
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4/11/2020, 20:16
Caraca Anteros, sempre fico reflexivo lendo suas filosofias diárias hahaha. Realmente tô passando pela mesma coisa, todo esse sentimento que a gente sente de sair do vício parece que vai ficando escasso e mais escasso até que não há mais forças. Compartilho do mesmo temor, será que vou ficar assim pra sempre?
Acredito que você já esteja usando os bloqueadores, caso não esteja é de toda a essencialidade o uso deles. De qualquer forma nos resta tentar mais uma vez, gosto de assimilar tudo isso a um deserto beira-mar e cada queda é um oásis, é um lugar naquele momento que você está melhor comparado ao deserto mas ainda é o deserto e a nossa liberdade tá nesse mar difícil de chegar.

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4/11/2020, 20:38
Ivan Karamazov escreveu:Caraca Anteros, sempre fico reflexivo lendo suas filosofias diárias hahaha. Realmente tô passando pela mesma coisa, todo esse sentimento que a gente sente de sair do vício parece que vai ficando escasso e mais escasso até que não há mais forças. Compartilho do mesmo temor, será que vou ficar assim pra sempre?
Acredito que você já esteja usando os bloqueadores, caso não esteja é de toda a essencialidade o uso deles. De qualquer forma nos resta tentar mais uma vez, gosto de assimilar tudo isso a um deserto beira-mar e cada queda é um oásis, é um lugar naquele momento que você está melhor comparado ao deserto mas ainda é o deserto e a nossa liberdade tá nesse mar difícil de chegar.

E isso que tu disse é verdade irmão. Fico bem feliz de saber que alguém tem do mesmo sentimento que eu. Estou usando os bloqueadores no celular, onde realmente está o problema, mas mesmo assim é complicado, no pc existem uns apps bons de bloqueio, que não permitem desinstalação e tal, tudo gratuito.
Sobre o deserto eu já ouvi pregações que comparam nossas lutas a eles, mais especificamente ao deserto do Êxodo, na península do Sinai. Comparam a nossas lutas ao povo de Israel onde o Senhor diz: "Eu te coloquei no deserto para ver o que existia no seu coração". E logicamente, depois de uma queda, não tem como ver esse versículo sem olhar pra si mesmo com dor e arrependimento no coração.
E é exatamente como você diz, amigo, eu posso me sentir o mais fracassado do mundo, mas depois que eu percebi o meu vício eu não consigo abandonar a vontade de sair dele, talvez esse seja um sinal da pouca esperança que nos resta. Eu sei que posso perder mil vezes. Acontece que eu sei que me levantarei mil e uma. O que nos deixa com medo é essa batalha eterna, contra algo que destrói nossa vida; nos dá medo, pois sabemos que se não ganharmos, nós vamos lutar eternamente. Eu prefiro isso do que perder, é verdade, mas eu também não gosto da ideia de nunca ganhar. Eu sei que meus desejos nunca desaparecerão, mas eu não luto contra meus desejos, eu luto contra a vontade de realizá-los, exatamente como Cristo, Homem, fez.

Obrigado pela mensagem parceiro, vamos continuar.

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5/11/2020, 23:04
Hoje é o primeiro dia, de novo. Ainda estou não estou bem, nem confiante com o início de um novo reboot. Parece que eu joguei fora outra chance que me foi dada.

Eu não sei como descrever o que sinto hoje, mas é como uma tipo de tristeza, onde a minha percepção sobre as coisas muda, tudo fica mais escuro, mais nebuloso. E como é algo que eu venho sentindo a algum tempo, eu gostaria de falar sobre isso hoje.

Eu vejo como a vida é bela; só que isso me entristece. Como isso é possível? Eu realmente não sei. Esse é um dos sentimentos mais emblemáticos que eu ja senti. Não é um desencanto comum. É como se eu nunca pudesse alcançar a beleza dessas coisas. É como se eu perdesse algo que nunca foi meu. E eu não sei até que ponto esse sentimento se relaciona com meu vício, mas eu sei que eles se ligam de alguma forma.

Acho que a falta de paz é um fator determinante dessa qualia. Eu vejo a perfeição de tudo que me rodeia, e não consigo apreciar isso; é como se eu nunca mais fosse capaz de contemplar algo belo, ou como se eu nunca tivesse sido merecedor disso. Eu sei que Ele fez tudo isso pra nós, em toda Sua glória, mas é como se eu não fosse capaz de ter isso, de ver isso, de me sentir bem com isso. A falta de paz que a queda e o medo me causam, trazem à tona esses sentimentos.

Eu já não consigo desfrutar da beleza desse mundo pois não há mais beleza em mim.

Esse não é um discurso de auto-culpa. É só como eu realmente me sinto. É um assunto meio estranho e aleatório, mas eu sei que tal sentimento vem do meu vício. Eu estou olhando tanto o meu defeito que não consigo ver mais as virtudes do mundo. Parece o contrário do que geralmente acontece, onde a pessoa acaba olhando tanto pra fora que não percebe o próprio defeito. As coisas não perdem a graça. Eu só não consigo mais me ver como algo que é bom no mundo, num mundo tão bonito. Eu acho que a beleza natural pode ter se afastado dos homens, mas eu não queria isso. As coisas hoje são tão complicadas que perdemos a vontade, o tempo, o momento para repararmos no quanto nosso mundo é bom e belo. E eu me pergunto: "Por que me sinto tão longe do resto da criacão? Tão longe de coisas que são como eu?" Talvez a resposta seja: "Você se sente assim pois isso é verdade. O homem se afastou da beleza da criação.".

As coisas são tão simples, e mesmo assim belas. Por que nós damos tantas voltas no mundo por causa de vãs frivolidades?

Se o Homem pudesse ver a verdade, a real natureza, aquilo que hoje ele não enxerga mais, talvez, num esforço total, conseguissemos ser felizes; exatamente como nos sentimos em pequenos momentos de simplicidade.

Obrigado pela opurtunidade, amigos, eu sempre quis falar sobre esse sentimento tão misterioso pra mim.

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11/11/2020, 23:41
Faz um tempinho que eu deixei de atualizar minha luta no fórum. Desde que parei, caí 3 vezes. É uma pena, hoje eu caí de novo. Na verdade eu deixei de atualizar um dia, e já foi o suficiente para desanimar completamente.
E como eu voltei, mesmo que tenha "saído" por pouco tempo, hoje, eu gostaria de falar sobre desânimo e esperança.

Eu acho que o desânimo vem do cansaço que sentimos quando percebemos que a batalha vai ser mais difícil do que esperamos. E acho que ele aumenta na medida em que esfriamos na batalha. Acho que já é óbvio para quase todo mundo aqui, que quanto mais caímos, mais nos acostumamos a cair e mais nos afundamos na luta, em direção à derrota. Isso é certo. E por que nos cansamos de lutar? Por a luta parece em vão. Vemos que as coisas não mudam. É triste dizer isso; não é o que eu queria dizer. Mas eu sei que é isso que acontece comigo, e é assim que eu venho me sentido desde quando comecei nessa batalha. É bem depressivo na verdade.

Do fracasso surge o desânimo, e do desânimo surge a desesperança, e de tal desesperança surge o fracasso de novo. É um ciclo vicioso, que se auto-alimenta; nos destroi por dentro porque se originou dentro de nós e só disso bastou pra se tornar um problema infernal em nossas vidas.

E do mesmo modo surge a esperança, que vem da vontade de melhorar, onde, esta última, acaba vindo do sofrimento causado pelo vício. O problema é: a causa da esperança não pode derivar diretamente do vício, como é o meu caso, pois, a vontade de melhorar, de onde vem a esperança, deriva do vício. O sistema de desânimo e esperança surge do vício. E essa conclusão é extremamente paradoxal, mas faz total sentido. A esperança não pode depender do maquinário do desânimo e da dor, pois só iremos sentí-la quando estivermos sofrendo diretamente com as consequências do vício. A partir do momento que as diretas consequências negativas do vício desaparecem, a vontade de mudar também desaparece, desaparecendo, por fim, a esperança, permanecendo, no fim do infinito (literalmente, pois essa relação nos apresenta um formato infinito) ciclo, o desejo, que nos conecta de volta com o fracasso, onde tudo começa.

A solução é desprender a esperança do movimento perpétuo causado pelo fracasso, que surge em nós mesmos. Mas isso é díficil, muito dificil. Eu mesmo, sempre tento depositar minha esperança em Deus, digo que confio em Vós, mas o Senhor sabe que eu ainda tento confiar em mim. Coisas que não podem acontecer. A solução do problema da esperança se encontra em destruir toda a fé que depositamos em nós mesmos; e isso é algo que demora, algo que exige de nós um compromisso real e engajado com o Senhor. Eu não preciso depender de mim, porque já não sou meu dono; mas tudo o que eu fiz me levou ao caminho contrário, me trazendo aqui, como um homem incapaz de lutar contra aquilo que ele mesmo criou.

O vício deriva de muitas circunstancias, e se desenvolvem a partir de muitas outras. Eu gostaria de entender essas nuanças que permeiam essa condição e ter uma visão geral e ampla acerca do problema, pois, pra lidar com ele é necessário conhecê-lo; e eu acho que reunir meus pensamentos sobre tudo isso é uma ótima idéia, se eu puder ajudar alguém com isso de alguma forma, também, seria melhor ainda.

Hoje é o Dia 0. Agradeço a quem ler, e ficaria feliz se isso te ajudar a ter uma melhor percepção do problema. Se tu não concorda com alguma coisa, bora trocar uma ideia, tamo aqui pra nos ajudar.


Última edição por Anteros em 2/1/2021, 01:25, editado 2 vez(es)

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12/11/2020, 22:22
Olá amigos!
É o primeiro dia, de tantos que se passaram, e hoje me sinto esperançoso! Estou tentando fazer umas gabiarras com algums apps por aí, pra realmente impedir o acesso ao porn, de uma maneira eficaz, onde é impossível acessar os bloqueadores e as configurações do celular. Fiz um post explicando sobre isso no Diário de Alcance, do nosso irmão Ivan Karamazov, dá uma passada lá (preguiça de explicar tudo de novo KKKKKKKKK), e, depois que eu acabar os testes, se der tudo certo, vou postar na aba de bloqueadores, espero realmente que isso dê certo, pq o bagui é de verdade memo, não dá brecha nenhuma.

Hoje eu to muito animado (realmente, esse negócio que acabei fazendo me deu uma luz, como não posso focar sem celular, descobrir um jeito de ACABAR com o P. me deixou absurdamente feliz), vou quebrar a rotina e não vou postar nada muito filosófico.

Agradeço a atenção por hoje, se o método der certo, pode ajudar todo mundo do fórum! Que assim seja. Boa noote irmãos!

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Diário de Anteros Empty Re: Diário de Anteros

13/11/2020, 07:53
Galera, da uma olhada no meu caso: tenho 17 anos e pratico M desde que entrei na puberdade acredito, sempre utilizava vídeos e etc, até então nunca tinha me dado problema, mas agora comecei a sentir os efeitos desses péssimos hábitos, ao tentar me relacionar com uma garota tive a primeira d.e não sei se foi pela ansiedade ou pelos danos caudados nesses anos de M, outras vezes eu tentei novamente com o auxílio de Viagra e deu super certo (também tinha ficado um período sem me M), entretanto em outra tentativa na qual eu tinha me M um dia anterior mesmo tomando Viagra não obtive uma ereção completa, alguém sabe me aconselhar nessa situação? Quando fiquei o período praticando nofap antes da relação não foi extremamente difícil pois acredito que não possuo vício em M muito menos em P (esse prática eu deixei desde a primeira d.e, e foi extremamente fácil, até hoje não sinto vontade de consumir esse tipo de conteúdo) só que por mais que eu não seja de fato viciado eu sofro com os danos dos anos dessa prática alguém sabe se com um tempo relativamente pequeno eu consigo me livrar disso?

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13/11/2020, 13:11
fnaticbr escreveu:Galera, da uma olhada no meu caso: tenho 17 anos e pratico M desde que entrei na puberdade acredito, sempre utilizava vídeos e etc, até então nunca tinha me dado problema, mas agora comecei a sentir os efeitos desses péssimos hábitos, ao tentar me relacionar com uma garota tive a primeira d.e não sei se foi pela ansiedade ou pelos danos caudados nesses anos de M, outras vezes eu tentei novamente com o auxílio de Viagra e deu super certo (também tinha ficado um período sem me M), entretanto em outra tentativa na qual eu tinha me M um dia anterior mesmo tomando Viagra não obtive uma ereção completa, alguém sabe me aconselhar nessa situação? Quando fiquei o período praticando nofap antes da relação não foi extremamente difícil pois acredito que não possuo vício em M muito menos em P (esse prática eu deixei desde a primeira d.e, e foi extremamente fácil, até hoje não sinto vontade de consumir esse tipo de conteúdo) só que por mais que eu não seja de fato viciado eu sofro com os danos dos anos dessa prática alguém sabe se com um tempo relativamente pequeno eu consigo me livrar disso?
Então maninho, eu não sei te responder essa pergunta pois nunca sofri com d.e, mas de toda forma, se livrar desse hábito é algo bom e edificante.

Não sei quanto tempo demoraria para sair dessa sua situação, mas uma coisa certa, não importa o tempo, se uma hora você conseguir se livrar disso, já vai ter valido a pena.
Charuto
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13/11/2020, 13:38
Fnatic, dá uma passada no meu diário. É possível sim reverter o quadro, mas leva certo tempo. Vá com calma.

_______________________________________
Meta: 90 dias Reboot

Objetivo:
(  ) Voltar a ter relações normais sem DE / EP

(  ) 7 dias
(  ) 14 dias
(  ) 21 dias
(  ) 30 dias
(  ) 45 dias
(  ) 60 dias
(  ) 75 dias
(  ) 90 dias - Reboot

Acompanhe o Diário do Charuto: https://www.comoparar.com/t11134-diario-do-charuto

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Ivan Karamazov
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20/11/2020, 20:59
Eai velho, como tá o reboot?

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soumulherviciadaemporn
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20/11/2020, 21:26
Vou seguir o teu diário! Coragem e um abraço! Estamos juntos na luta Ivan!!!

_______________________________________
"Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer"   Santo Agostinho
                                                                                     
Diário:  https://www.comoparar.com/t3574p250-diario-de-uma-lutadora-contra-a-pmo#23257

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oGeneral
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20/11/2020, 21:37
fnaticbr escreveu:Galera, da uma olhada no meu caso: tenho 17 anos e pratico M desde que entrei na puberdade acredito, sempre utilizava vídeos e etc, até então nunca tinha me dado problema, mas agora comecei a sentir os efeitos desses péssimos hábitos, ao tentar me relacionar com uma garota tive a primeira d.e não sei se foi pela ansiedade ou pelos danos caudados nesses anos de M, outras vezes eu tentei novamente com o auxílio de Viagra e deu super certo (também tinha ficado um período sem me M), entretanto em outra tentativa na qual eu tinha me M um dia anterior mesmo tomando Viagra não obtive uma ereção completa, alguém sabe me aconselhar nessa situação? Quando fiquei o período praticando nofap antes da relação não foi extremamente difícil pois acredito que não possuo vício em M muito menos em P (esse prática eu deixei desde a primeira d.e, e foi extremamente fácil, até hoje não sinto vontade de consumir esse tipo de conteúdo) só que por mais que eu não seja de fato viciado eu sofro com os danos dos anos dessa prática alguém sabe se com um tempo relativamente pequeno eu consigo me livrar disso?

Fala irmão, como tá o processo do Reboot? Espero que esteja firme cara. Então, 17 anos tomando Viagra não é algo normal, concorda? 17 anos você está no auge da juventude, com energia, motivação, forte, é meio cabeça fraca ainda, mas na questão do Viagra não vejo necessidade.
Na questão do vício, você disse que ficou anos se masturbando, não sei se assistia Pornografia também, mas se você não consegue ficar 1-2 semanas, infelizmente você é viciado.
Sobre a DE, cara, provavelmente sim, é possível reverter essa situação porque na maior parte dos casos a DE é psicológica e não fisiológica. Cada caso é um caso mas se você não é viciado em Pornografia nem em masturbação, recomendo você fortemente buscar um urologista pois 17 anos sofrer de DE não é algo normal. Mas lembre-se: Essa é só minha opinião. Seja forte e siga firme.

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Diário de Anteros Empty Olá de novo, amigos

31/12/2020, 01:10
Depois de algum tempo, cá estou, mais uma vez.
E eu me sinto ridículo, não por voltar ao fórum, mas por voltar após uma recaída. Hoje eu sei exatamente como o cão arrependido do poema do Chaves se sente, e talvez não só eu. Disso eu sei a algum tempo, me sinto envergonhado toda vez que deito em minha cama. "Adentrar" na presença do meu Deus para pedir perdão pela mesma coisa me cansa e me envergonha. Pedir, pela milionésima vez , para que Ele releve meus pecados e me perdoe é uma tarefa árdua, por que já se passou tanto tempo, tantas vezes, que eu já não sei mais o quanto arrependido estouMas é fato, não é o que eu queria.
Hoje, no dia em que volto, decido contar o que realmente ocorre comigo.


Quem eu sou.


O meu verdadeiro nome é Henrique, tenho 19 anos, homem e heterossexual. Sou viciado em pornografia a muito tempo. Só que eu só fui me dar conta disso esse ano. O meu pior tormento são animações transexuais (por mais que eu saiba que sou heterossexual), eu considero isso um  tipo de fetiche. Claramente, isso é vergonhoso pra mim, mas eu acho que ninguém estaria aqui se não se encontrasse no fundo do poço. Vocês têm um nome específico para essa situação, nome esse que eu não me recordo no momento, peço-lhes perdão.
Eu me encontro na situação de tentar largar o vício há 8 meses.
Eu não considerei a masturbação, a pornografia ou o "sexo" como parte central da minha vida em momento algum, até o dia em que decidi me livrar de tudo isso.
Eu tentei inúmeras maneiras de me desvencilhar disso, e até o momento, só uma me deu um resultado bom: confissão e comunhão. Mas eu moro numa cidade bem pequena. O medo, a vergonha e a insegurança me fazem ficar estagnado, sem tomar providências após a queda. O medo do julgamento me faz parar no tempo.
Eu sou apenas um homem, não quero que me reduzam a meus vícios. E eu tenho ciência de minha fraqueza quando deixo o meu ego e o pensamento das outras pessoas influenciarem minha jornada.
Me sinto desanimado. Se eu tivesse sido forte desde a primeira vez, eu já não estaria mais nessa.
Essa situação me consome, consome meu tempo, consome minha esperança, consome meus pensamentos, consome meu corpo, consome minha vida. Não é o que eu queria. Eu queria poder mostrar quem eu sou completamente, sem nunca ter que confessar que sofro de mim mesmo. Mas se escondesse de todos, eu já não seria mais quem eu queria ser. Eu sei que tal exprimir abertamente meu vício não traz a melhor impressão  e que tal situação só deve ser compartilhada com pessoas próximas e talvez com outros que estejam na mesma. É sábio confessar quem você é. Mas, mais sábio ainda, é saber confessar-se às pessoas certas. Eu não sou só o meu vício; por mias que às eu me sinta assim; e aqui, eu vejo que quase todos querem expressar isso, mostrando, sim, as quedas, mas, principalmente, suas lutas, seus pensamentos, que na maioria das vezes, importam mais que as quedas, pois é o que reúne a força interior de vocês para seguirem a jornada.
Mas é completamente entendível não se sentir assim. Eu não me sinto quase nunca. Só que, se nos lembrássemos disso toda vez antes de cairmos, talvez estivéssemos melhor agora.
Durante minha luta eu caí centenas de vezes, e desde o começo, as quedas vêm sido mais frequentes. A situação passou de hiatos de tempo aleatórios até eu cair dia sim, dia não, como é, atualmente.
E hoje, depois de algum tempo, eu gostaria de dizer pra alguém que me sinto cansado, que me sinto exausto e, principalmente, que me sinto envergonhado de ir a Deus mais uma vez suplicar Seu perdão.


Obrigado por estarem aqui, amigos.


Me sinto destruído e envergonhado, mas o arrependimento e o saber de que essa é uma vida que não quero, me dão forças para recomeçar, mesmo que isso leve minha vida toda. Se isso não é o que eu queria, eu preciso lutar pelo que quero, e, por mais que minha vontade pareça mudar de um momento para outro, eu sei que o arrependimento e a dor de viver acorrentado em mim mesmo precisam guiar minha alma pra um lugar mais perto de Deus.

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31/12/2020, 01:11
Esqueci de dizer, estou recomeçando o reboot hoje, novamente.

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Diário de Anteros Empty Dia 1 - Ano Novo, Solidão e Afins

1/1/2021, 00:30
Olá, amigos. Como já é quase 2021, já lhes desejo um feliz ano novo!


É noite de ano novo e, por certas condições, eu a passarei sozinho, em casa. Eu estou numa cidade diferente da minha, onde eu não tenho uma vida usual, ou seja, tenho que passar essa noite em solidão. É bem triste passar o fim de ano longe daqueles que ama, e claramente me sinto sozinho. É uma pena, mas são coisas que acontecem, peço que não sintam pena de mim, por favor KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

E hoje foi um dia tranquilo em relação à P. e M. Então, eu, como de costume, nesse horário, venho refletir um pouco sobre esses assuntos; e como, numa noite como essa, eu me encontro sozinho, eu acho que devo discorrer sobre como esse sentimento influencia minha luta contra o vício.

Eu tenho certeza de já ter comentado que a solidão e a tristeza me afastam da compulsão pornográfica, e essa é uma das razões de eu saber que meu vício não provém de uma tentativa de fuga da realidade. Quando me sinto só, ou deprimido, eu gosto de sentir esses sentimentos o máximo possível, não é masoquismo; digo, esses sentimentos me trazem a um lugar mais sublime, onde eu posso contemplar o mundo e a existência de uma maneira mais emotiva e sentimental, ocupando todo o espaço que o desejo de ver pornografia ocuparia, por que, quando me sinto depressivo, eu consigo ter as dimensões do real peso que a vida coloca em minhas costas.
Sentir-me descontente me faz mais sensitivo, e eu consigo sentir como é a vida e consigo ter a consciência de que o meu problema não é o maior do mundo, e que é simples de se resolver.

Os fogos estão começando agora, e nesse momento, eu percebo onde deveria estar. E é verdade que sozinho eu posso estar lutando bem contra meus desejos, mas eu estaria lutando muito melhor se tivesse aqueles que amo junto de mim. Peço perdão pela melancolia, mas é assim que estou me sentindo.

O que eu poderia dizer? É verdade que eu considero que a maioria dos problemas relacionados aos vícios vêm das noções do desfruto desenfreado do momento, e que muito dessa solidão que eu sinto agora vêm disso também. Será que estou vivendo a vida do jeito certo? Tudo bem que nessa situação eu estou de mãos atadas e não tenho pra onde ir, mas quantos momentos bons eu estou perdendo, e perdi, em outras ocasiões, onde eu tinha a escolha de me socializar melhor?
Vejam, eu odeio o "carpe diem]", e toda essa sede por momentos, que na maioria das vezes são momentos mortos, que não se ligam com o passado nem com o futuro, e vocês podem considerar isso uma forma de autoproteção, eu as vezes considero também. Mas a verdade é que existem momentos onde você está bem, só que sabe que poderia estar melhor.
E é aqui, exatamente nessa tentativa de colecionar momentos, que a vício em pornografia e masturbação apresenta mais uma contradição que existe entre meu corpo e minha mente. Odiar esse tipo de estilo de vida e viver sofrendo as custas dele não é uma relação de causa e efeito, pois eu faço parte dos dois, ao mesmo tempo.

E hoje eu não vejo saída. Não consigo pensar numa mensagem final de superação, por que eu não superei essa contradição. Não há o que dizer, a não ser dizer que essa situação não é o que eu queria. O meu desejo de mudar não é suficiente pra superar esse contraste. Eu preciso de uma ação de verdade.
Eu gostaria de terminar essa mensagem dizendo algo para ajudar nesse novo ano, mas as condições emocionais impossibilitam. O que eu posso dizer é que eu preciso mudar esse ano, pra melhor.

Feliz ano novo, amigos.



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Diário de Anteros Empty Dia 2- São meus Objetivos de Vida, Não só pra esse Ano.

2/1/2021, 00:25
Oi amigos. Como estão? Espero que bem.
Se passou o primeiro dia do ano e eu andei pensando sobre objetivos de vida, metas, conquistas, desejos e afins.

É bem normal pensar sobre isso no fim e no início dos anos que vão se passando e dos que vão começando; e estabelecer metas de ano novo é algo que eu não costumo fazer. Metas pra um ano que ainda vem são sempre limitadas. Elas têm prazo de fabricação e validade, ou seja, não são coisas que você quer alcançar e levar pra sua vida; são simples metas momentâneas, imediatas, que refletem o que a gente quer a curto prazo por um prazo curto. Vejam, eu acho que tais objetivos já estão deteriorados em nossas mentes a partir do momento que os mesmos objetivos tomam essa forma regulada; eles estão fadados ao fracasso, pois são momentâneos e podem muito bem ser substituídos por outros objetivos momentâneos. Nem quem faz essas promessas, mesmo que inconscientemente, leva a sério as mesmas. Tudo que tem vida útil é descartável.

Mas e o nossos vícios? Se você se livrar deles uma vez, nunca mais vai tê-los por perto?
Eu duvido muito.

Não podemos tratar nossos vícios com promessas de curto prazo, e eu sei que o programa nos pede 90 dias de reboot. Mas vejam, quantos de vocês querem atingir esses 90 dias e voltar a assistir pornografia? Eu creio que ninguém. Quem realmente sofre com essa merda, se conseguir se livrar da compulsão, não vai querer ver isso nunca mais. Pelo menos é o que eu sinto.
Sem contar que a compulsão é o que mais nos atrasa, a vontade de ver, a tentação, mesmo que controlável, sempre andará conosco. É um prazer muito fácil. Talvez tenhamos que resistir pela vida toda, mesmo que em graus de intensidade diferentes.

Então eu pensei: "Por que? Entre todos meus sonhos, de ter sucesso; um carro legal; uma mulher sensível, honesta e carinhosa; uma filha educada e divertida, que me traga alegria e me lembre dos meus tempos de infância; um emprego ou ocupação que me deixe feliz em ajudar os outros, mesmo que seja de forma indireta (eu tenho tanta vontade de fazer tantas coisas); por que eu nunca coloquei o livramento dos meus vícios no meio desses sonhos?"
A verdade é que eu nunca vi o livramento como um sonho, ou objetivo; eu via como obrigação, algo que precisava fazer o mais rápido possível, ou atrasar até o dia em que eu teria alguém do meu lado pra descarregar minha compulsão.

É muito estranho. A libertação é algo que eu desejo tanto, mas trato com tanto descaso a ponto de nem me lembrar dela quando faço meus planos pro futuro. Outra contradição; algo que eu começo a suspeitar que faz parte da ontologia do viciado arrependido.
Esse ano eu comecei dizendo que seria diferente, que me lembraria que sou eu mesmo que atraso meu sucesso nessa luta, e que sempre me recordaria de que, se eu tivesse sido forte, orado, vigiado, eu já estaria bem longe disso tudo. A verdade é que eu quero fazer isso, mas não ´só durante esse ano, ou até uma eventual queda, algo que eu realmente não quero que aconteça, eu necessito querer fazer isso todos os dias da minha vida se for preciso. Eu preciso me lembrar de tudo que aprendi, de todas as palavras que eu já disse nesse fórum, de todos os devaneios que eu já tive sobre o assunto, de todas as crises que eu já passei por causa disso, de todas as noites de dor, de todas as vezes que eu tive que pedir perdão a Deus pelos mesmos pecados, de todas as desculpas que eu dei pra cair e ter a consciência de que todas são falsas e preguiçosas.
É muita coisa pra lembrar, e nesses momentos eu ainda preciso lembrar de mais uma: se eu não quiser, mesmo me lembrando de tudo isso, é capaz de eu cair.


É necessário fé, e esperança, mas acima de tudo: querer; mesmo que não seja mais o meu querer, mas somente o de Deus. Isso já me basta


Obrigado amigos, boa noite!

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Diário de Anteros Empty Dia 3 - Na Alegria

3/1/2021, 01:16
Oi amigos, como vocês estão? Espero que estejam bem!

Hoje a luta não foi difícil, eu não tive nenhuma vontade de ver pornografia nem de me masturbar, e isso é ótimo! Eu realmente gostaria que os dias fossem mais assim.
E hoje, em particular eu estou bem alegre e esperançoso. Não há nenhum motivo especial, há tempos eu não completava três dias de abstinência, mas não bem por causa disso também; é claro, vejo uma evolução, mas não posso me afobar.

Estar contente, na maioria das vezes não se faz um gatilho, mas também não se faz um inibidor do desejo, em mim pelo menos; diferente de quando sinto tristeza, a alegria não impede completamente minha compulsão. Eu diria que a alegria é mais inerte, indiferente, neutra, mas pode atuar conforme minha situação. E por isso eu sei que a alegria e a "felicidade" podem ser usadas como sentimentos auxiliares na luta.
Acho que esse sentimento é indiferente até o ponto onde ele me cegue e eu me descuide para cair, ou o use como arma nessa luta. Hoje eu vou divagar sobre como eu acabo usando a felicidade para me manter calmo e para me manter sóbrio, coisa que não é muito usual de se acontecer quando esse sentimento vem

A alegria costuma ser um sentimento que entorpece e nos torna descuidados momentaneamente, mas ele só "costuma" fazer isso; e por isso é preciso conhecer as facetas dos próprios sentimentos. Existem funções extraordinárias nos nossos sentimentos, e isso é fácil de provar; quando choramos de felicidade, por exemplo, por que isso acontece? Se vocês perdoarem a especulação nada científica de um moleque de 19 anos, eu diria que isso acontece pois somos complexos; é uma resposta óbvia, mas é certa, e podemos partir daqui. Existem sentimentos intermediários entre os sentimentos mais latentes do momento, voltando ao exemplo, da alegria saímos e chegamos até o choro, que é uma expressão da tristeza. Como saímos de um extremo ao outro? A resposta é: a complexidade dos sentimentos que existem em nós, a complexidade da cadeia de emoções que fazem parte da situação. Eu chorei quando meu melhor amigo, que havia se mudado pra São Paulo, voltou para me visitar. Eu estava feliz, e mesmo assim, chorei. Eu chorei pois existia saudade, que, quando meu amigo voltou, foi aliviada, descarregando, assim, a expressão da tristeza. Não chorei de tristeza, chorei de saudade e de alívio; alívio que, por sua vez, me fez chorar pois existia uma relação de tristeza anterior, que se manifestou.
Enfim, cientificamente posso estar falando muita merda, mas filosoficamente falando, faz sentido.

Agora, o que acontece para que eu me mantenha calmo e sóbrio em relação ao vício mesmo estando alegre?
Eu uso o que acabei de descrever acima. Uma mistura certa de emoções produz certo resultado. Eu, quando fico alegre, busco ficar contente; no sentido mais puro da palavra, me contentar, ou seja, se eu colocar um pouco de nostalgia, seriedade, contemplação e introspectividade, eu consigo o resultado que eu cheguei hoje. Sentir-se feliz, por si só, já é bom. acontece que quando você mistura a felicidade com sentimentos mais melancólicos, você relaxa, e no fim, se contenta. É uma viagem muito louca, mas é uma explicação "plausível" pra um sentimento melhor ainda.
Me predispor à nostalgia é algo que me faz lembrar com bons olhos minha infância, uma época onde meus pecados não haviam me consumido, onde meus amigos sempre estavam junto de mim, onde minha família era a melhor possível, onde eu era feliz, mesmo não sabendo. Nostalgia me é um catalisador pra ficar contente. Eu era bom, tudo era bom, o meio, o momento, por piores que fossem, eu só os vejo com bons olhos, e assim eu lembro que tudo pode voltar a ser desse jeito, só me faltam bons olhos e uma boa limpeza na alma.
Me predispor à seriedade é olhar pra minhas problemáticas diárias e pra meus momentos de alegria com olhos objetivos, que enxergam objetivos. Estar disposto a ver a vida e a valorizá-la mais seriamente me fazem chegar às conclusões que eu preciso para me contentar e para saber que, é possível chegar lá, onde eu sempre quis, com sanidade.
Me sensibilizar para uma contemplação maior da existência e para uma percepção mais verdadeira da realidade, mais sentimental da realidade, me faz perceber como as coisas são boas e belas, e como eu, que faço parte da mesma existência e criação, também posso ser bom; contentando-me não só com o universo, mas comigo mesmo.
Mergulhar em mim mesmo para descobrir as nuanças que fazem parte da minha experiência introspectiva, traz-me à luz dos meus problemas e das minhas falhas, mas também me leva à percepção das minhas qualidades e atributos, revelando o que é necessário, preciso, e como posso aproveitar aquilo que está a minha disposição, carregando dentro de mim as repostas necessárias para a verdadeira felicidade e contentamento com a vida.

Peço perdão pela viagem, mas era algo que eu vinha pensando há algum tempo. Mostrando não só pra mim mesmo o caminho que eu percorro a fim de me tornar mais claro, mas também mostrando que as coisas podem agir ao nosso favor se quisermos.

Obrigado mais uma vez amigos.

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Luan Oliveira
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Diário de Anteros Empty Re: Diário de Anteros

3/1/2021, 15:27
Saudações Anteros,
Desejo um feliz 2021 pra você e que você vença definitivamente o vício.
Um abração!

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