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Emil Sinclair
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21/5/2017, 02:56
Bom pessoal, sou Sinclair, hoje com 26 anos, iniciarei aqui minha história e tentarei ser o mais sincero possível, afinal é sobre esse ponto da minha vida que nunca consigo sê-lo com ninguém, inclusive comigo mesmo. Sou homossexual, não assumido nem pra família nem pra grande maioria dos amigos, acredito que esse também seja outro ponto que deve ser tratado ao longo desse reboot.

Tive minha primeira experiência sexual aos seis anos de idade, mais ou menos, com um coleguinha de mesma idade. Sempre fui uma criança diferente das outras tanto que, justamente por volta dessa época minha mãe decidiu largar tudo para se dedicar inteiramente à minha criação, com medo do que eu pudesse acabar "me tornando". Família muito grande, lar excessivamente repressor - sexualmente falando – ao longo dos anos mudaram minha forma de falar, minha postura, minha maneira de portar, mas como todos aqui sabem, não pôde mudar meus pensamentos e sentimentos. Ainda no início da adolescência tive várias outras experiências sexuais com primos, vizinhos, sempre do sexo masculino. Mas eu pensava que era "uma fase", "é porque garotas dessa idade não transam ainda", etc, etc. Também por volta dessa idade eu descobri a pornografia, ainda em revistas e fitas cassete, que eram trocadas entre os garotos na escola, que depois evoluiriam para dvds e arquivos de computador, sempre com conteúdo hétero, até então. Inclusive nessa fase, era uma excelente oportunidade de reunir vários pirralhas para se masturbar em frente à tevê, o que obviamente eu adorava. É importante salientar que a masturbação sempre foi muito presente, com ou sem pornografia. Assuntos sexuais também, sempre que tinha a menor possibilidade conversava sobre sexo e masturbação com meus amigos, isso me excitava bastante, além de ser uma forma de ver se poderia surgir alguma oportunidade de transa também.

Por volta dos 14, 15 anos tive acesso pela primeira vez à internet discada e foi então que "entrei" nesse vício. Na frente do computador, nos raros momentos nos quais ficava sozinho em casa, eu podia pesquisar pelo que eu quisesse!, isso parecia tão libertador, mal sabia eu da prisão na qual estava me metendo. No início fotos, que demoravam uma eternidade para carregar, mas era a primeira vez que eu estava tendo acesso a pornô gay, isso era extremamente excitante e me fazia chegar ao orgasmo várias vezes seguidas em curtos instantes. Com o passar do tempo, quando eu estava com uns 16-17 possui um computador dentro do meu quarto, e a internet já não era mais discada... aí que o mundo da pornografia de internet tomou conta da minha vida. Às vezes me M 3-4 vezes por dia com P. Não obstante a isso também tinha uma vida sexual extremamente ativa. Era praticante de "banheirão", então quase todos os dias tinha contato sexual com pessoas diferentes, sempre com proteção, claro. Desde uns 16 mais ou menos. Eu estudava muito longe de casa e passava por várias integrações de ônibus tanto na ida quanto na vinda, então por diversas vezes eu parava no banheiro de todas elas para ter prazer rápido. E assim foi até que por volta dos 18 anos, conheci um cara, justamente num banheiro, e ele me chamou pra um cinema gay.

Achei aquilo incrível na época, era um lugar aparentemente limpo e discreto. Era impressionante como toda a atmosfera daquele espaçoso local exalava exatamente o mesmo cheiro: um terço era de lavanda, um terço de sexo recém-praticado. A outra parte eram a curiosidade e o desejo, de forma tão intensa que faziam-se tangíveis, tanto quanto um aroma. Um ambiente enorme, com duas salas de cinema, onde uma exibia filmes héteros e outra filmes gay, mas o público era totalmente gay. Um darkroom próximo à sala de filmes héteros, onde, à meia luz, estranhos sem precisar trocar qualquer palavra podiam se entregar à lascívia e aos mais exibicionistas dos fetiches. No piso superior, próximo à sala de filmes gays, várias cabinas medindo aproximadamente 1,5 x 1,5 m serviam de alcova aos mais reservados. Era como se fosse um banheirão, só que ali, dentro daquele território, tudo era permitido, nada censurado. Passei a frequentar aquele lugar quase que semanalmente. Não transava com menos de três pessoas diferentes por cada vez que ia lá. Era frequentado por afeminados, discretos, ursos, lisinhos, barbudos, daddies, enfim, toda sorte de homossexuais, para todos os gostos.

Acho importante falar sobre isso, porque além do desabafo, hoje percebo que o interesse por lugares assim não passava do meu cérebro primitivo buscando fecundar o maior número de parceiros possíveis; nunca ‘repetia’ um cara. Faço esse relato também, para advertir que nem todo tipo de sexo real é saudável e inclusive esse, especificamente, em nada se diferencia de longas sessões de pornografia de internet. Informações essas, que até uma semana atrás não me tinham passado pela mente.

Também por volta dos 18 anos ingressei na faculdade, no curso de engenharia, no qual permaneço até hoje. Pois é, meus amigos, há oito anos que estou na universidade e ainda não me formei. Procrastinação, mais um dos tantos efeitos desse pernicioso vício. Sempre tive uma vida dupla, inclusive até hoje, mas foi dos 18 aos 23 o seu auge. Pouco tempo depois de iniciar os estudos de engenharia, arrumei um estágio na área, que me proporcionou dinheiro e, por consequência, mais recursos para ir em busca de prazeres sexuais. Além dos banheirões e do cinema, descobri uma boite gay que é tida como uma das mais escusas em minha cidade. Comecei a frequentá-la também. Meus dias se resumiam a ir para o estágio, banheirão, faculdade (às vezes), banheirão e PMO antes de dormir, de segunda a sexta. De sexta a segunda... Bom, na segunda quase não me lembrava de por onde tinha passado, em uma busca alucinada por sexo. Banheiros, cinema, boites, até na orla da praia, pelas madrugadas, eu me expunha, na esperança de encontrar alguém ‘interessante’. Intercalada com essa vida, tinha a outra: do bom filho, aluno, profissional, amigo... da qual fui cada vez mais me afastando.

Aos 22 arrumei uma namorada, para mostrar (ou amostrar-me) à sociedade. Acabar com qualquer suspeita, de quem quer que fosse sobre minha sexualidade. Vivemos um romance de um ano que, obviamente, não deu certo. Eu tentei reduzir um pouco minha segunda vida, mas não por muito tempo. Era mais forte do que eu. Fora que, por mais que as saídas tivessem diminuído, a P de internet emergiu com força total. Foi aos 23 que conheci numa sala de bate-papo um cara que viria a se tornar meu primeiro namorado (e amor). Começamos a conversar, nos encontramos algumas vezes, e resolvemos iniciar uma relação. Ele sabia que eu tinha namorada, e os primeiros quinze dias foram extremamente agoniantes para mim, pois teria que acabar o relacionamento com a menina e não sabia como. Ela era um doce, sensível, extremamente compreensiva, dedicada, só tinha um ‘defeito’: era mulher. Disse-lhe meia dúzia de bobagens mal explicadas, fiz-me de vítima e encerrei o romance. Ela chorou. Naquela noite também chorei, mas de alegria, por estar selando um compromisso com aquele que eu julgava ser o homem da minha vida – mas às escondidas, claro.

Apesar de estar vivendo aparentemente num mar de rosas, algo estranho persistia em me incomodar: a necessidade de PMO. Não importava quão linda fosse nossa noite de amor, quando chegasse em casa, eu precisava ter uma sessão de PMO antes de dormir.  Eu pensava que todo aquele desequilíbrio sexual advinha do fato de eu nunca ter me envolvido, apaixonado verdadeiramente por ninguém antes, mas pude constatar que tal suposição não passava de um ledo engano. Não tardou muito a começarem os primeiros episódios de DE. Já falhara algumas poucas vezes, sobretudo com mulheres, o que pensava que fora natural, já que agora eu tinha absoluta certeza que era homossexual. Mas por que eu estava falhando repetidas vezes com o cara que eu amava? Quando estava com ele ficava a contemplar seus traços mestiços, seus braços fortes, seus lábios marcantes, seus cabelos negros, grossos e lisos. Era todo desejo, no entanto meu corpo não respondia aos estímulos cerebrais e eu não compreendia por quê. Comecei a recorrer a fármacos, o que melhorou o desempenho sexual. Entretanto, quando não os utilizava antes do sexo, não conseguia manter-me ereto o suficiente para completar um coito satisfatório.

Senti-me profundamente frustrado e abalado. Conversamos e eu disse-lhe que procuraria um médico. “Não se preocupa, isso é psicológico”, tentou acalmar-me ele. Mas as falhas continuavam e a angústia só aumentava. Era-me incompreensível, principalmente porque quando eu estava sozinho, nas minhas sessões de PMO, tudo funcionava perfeitamente. Até mesmo quando as conversas entre nós, nos aplicativos de mensagem instantânea, ficavam um pouco mais quentes, já me ouriçava de imediato. Porém pessoalmente, ao vivo, na hora de fazer amor, o falo simplesmente não se erguia.

Certa vez, a fim de testar-me entrei em um banheiro sujo qualquer em busca do primeiro transeunte para o experimento. Não demorou a aparecer um tipo, ávido por uma fast foda. Após uma troca de olhares, eu já estava rijo como aço. Saí do banheiro imediatamente, não queria trair meu namorado. Acendi um cigarro ainda atordoado, sem perceber que fora seguido pelo cara do banheiro. “Vamos lá em casa?” Perguntou ele, me tirando abruptamente do meio de meus anseios. Apesar de vacilante, fui com ele para testar-me mais uma vez, e novamente funcionei perfeitamente.

Agora tudo ficara mais confuso para mim. Por que eu conseguia ter relações com um completo estranho, mas não com meu namorado? Enfim, não tive mais muito tempo para pensar sobre isso antes de terminarmos o relacionamento. Terminamos por um motivo bobo qualquer, mas não fui atrás de reatar. A pretexto de um tal orgulho, cujo caráter me é equívoco até hoje, permaneci firme sofrendo minha perda e me lamuriando por quase dois anos. Caí novamente nas noitadas errantes e nas sessões de PMO. Nesse período, a DE foi se agravando e mesmo em situações “mais instigantes” para o cérebro, eu já não conseguia mais ter as mesmas ereções naturalmente. Fazia uso de estimulantes quase todos os fins de semana para poder manter relações.

Certo tempo após o término, tive outros relacionamentos. Uns mais longos, outros mais curtos, mas sempre com a sombra da DE e da P a me perseguir. Com o passar do tempo parei de frequentar as noites e os banheiros, porque nem lá conseguia mais ter ereções satisfatórias. Meus relacionamentos quase todos eram enfadonhos e não me traziam prazer, nem sexual nem espiritual. Foi quando, no final do ano passado (2016) percebi que estava desenvolvendo também um quadro depressivo e de ansiedade social.

Eu já tentara terapia no início do ano, a fim de curar a DE, que claramente não tinha origens físicas, mas de nada adiantou. A terapeuta disse que o fato de eu ser gay não era motivo, e nem o fato de eu ainda estar no armário aos 25 anos. Que ser gay é normal e eu não preciso sair por aí contando. Que a masturbação e a pornografia são normais e saudáveis... então fiquei mais perdido do que quando entrei. Qual era o meu problema, afinal? É bem verdade que essas coisas que aqui vos falo, com tanta riqueza de detalhes, nem mesmo à minha psicóloga confiei. Mas se não chegamos a um ponto tal de ter essa abertura, foi porque ela errou em algum aspecto. Afinal, a profissional é ela, não eu.

Meu último relacionamento acabou no fim do ano passado, por reclamações do meu então parceiro sobre falta de atenção, passarmos muito tempo sem nos ver, enfim, falta da minha presença e entrega na relação. Desde então o isolamento, a solidão, a ansiedade e a fobia social só aumentaram. Cheguei a ter crises de pânico algumas vezes. Nunca tornei-me um completo vegetal, mas só hoje percebo, sob a clareza de sete dias limpo, que vivi quase que uma existência inteira no automático, como uma formiguinha. Meus medos, anseios, angústias e frustrações foram depositando-se sobre mim, de forma que criaram uma crosta, tal qual uma casca de ovo, cada vez mais ossificada e consequentemente mais difícil de quebrar. E a tentativa de fuga era a PMO. Cada vez mais pesada e intensa.

Tomei conhecimento da palestra de Gary Wilson por acaso em março de 2017, quando já estava no fundo do poço. No princípio fiquei pensando se eu era realmente um viciado: “Eu só pratico PMO uma vez por dia...” Encontrei este fórum na mesma época. Rapidamente li o e-book, compreendi que era sim adicto e decidi tentar o desafio dos 90 dias no dia 17 de março de 2017. Os primeiros dias me pareceram relativamente fáceis. Acompanhava o fórum diariamente, mas nunca escrevi. Pensei que quando viesse a fazê-lo já seria com minha ‘história de sucesso’. Mas que presunção a minha!

A flatline foi quase que instantânea, o que me assustou muito. Mas mais ou menos no décimo primeiro dia, meu membro voltou ao tamanho normal, ereções espontâneas pela manhã, a libido se normalizou, que alívio! No décimo quarto dia – sem PMO -  percebi que meu escroto estava mais pesado que o normal, parecia cheio. “Preciso esvaziá-lo”, pensei. Então entrei num banheiro. Tive uma fast foda (muito fast, por sinal) e fui embora. “Estou curado” pensei. Na mesma noite me masturbei mais duas vezes antes de dormir. O fato de eu ter tido EP me preocupou um pouco, até porque eu sempre me gabara de demorar muito para “chegar lá”, mas como o e-book havia advertido sobre isso... No entanto, me sentia mais confiante, menos depressivo.

A partir de então criei certa rotina de MO sem P e de frequentar alguns banheiros, para retomar a 'boa forma' de outrora. Porém, em pouquíssimo tempo, todos os sintomas voltaram. Não estava assistindo P, mas tudo voltou. Decidi me segurar mais uns dias sem P, mas como não apresentava melhora, pensei que o reboot era uma falácia e sucumbi mais uma vez à PMO. Novamente fui tomado de angústia, desespero, solidão... e adivinha o que fazia todas as noites antes de dormir? Me isolei cada vez mais. Olhando para a casca, de dentro do ovo, imaginando a quantidade de coisas maravilhosas que podem ter lá fora. Então percebi que só olhando pra dentro é que poderia descobrir uma forma de quebrar essa casca.

Cheguei à conclusão de que me auto sabotara. Tentei o reboot pela primeira vez e queria estar curado em duas semanas. Recaí e não quis admitir que o erro fora meu e não do programa. Resolvi então tentar novamente, cumprir verdadeiramente o desafio dos 90 dias e encetei a contagem há sete. Já nessa primeira semana percebi onde falhara brutalmente na tentativa anterior. Primeiro, ter ido em busca de sexo com desconhecidos em banheiros. Como eu não percebi antes que isso é como se fosse pornografia tridimensional? Depois, não ter começado a contar minha história às pessoas que poderiam me compreender e orientar: vocês.

Outra atitude que tomei e que tem me ajudado muito em vários aspectos da vida foi excluir o aplicativo do facebook do celular. No geral, estou me sentindo incrivelmente melhor, apesar dos poucos dias. Voltei a ler, coisa que já havia muito que não costumava fazer. Inclusive, em meio aos meus pensamentos mais focados e minhas leituras nessa semana, pude me autoanalisar e finalmente chegar a todas essas conclusões sobre mim mesmo que estão neste texto. Tudo isso não estava assim organizadinho na minha cabeça, não.

Passei esses primeiros dias sofrendo forte abstinência, sobretudo na hora de dormir, que era quando costumava praticar PMO. Insônia, mudança de humor, rompantes de pensamentos indesejados, impulsos de procurar P, às vezes. Estes últimos eram tal qual breves lapsos, mas rapidamente eu lembrava que estou em reabilitação. Porém não foram só espinhos. Também estou organizando os pensamentos, traçando planos, tirando a poeira de vários antigos projetos. Só o fato de conseguir escrever essa prosa já me deixou bem ditoso. A última vez que me lembro de ter escrito algo diferente de textos técnicos foi no Ensino Médio e só hoje, produzindo essas linhas, pude recordar o quanto isso me apraz. Sinto minha capacidade criativa e realizadora voltando.

Enfim, sei que tenho uma árdua jornada pela frente. Não pretendo postar aqui todos os dias, mas sempre que surgir algo de novo ou de interessante na minha caminhada virei partilhar com vocês, mas é minha intenção acompanhar os relatos dos colegas diariamente. Peço desculpas ainda pelo tamanho do texto, mas eu precisava externar essas coisas que durante tanto tempo me atormentaram. Espero contar com a ajuda e experiência de vocês para enfrentar essa guerra, bem como estarei aqui para auxiliá-los no que for possível.

Emil Sinclair.
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icognito01
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22/5/2017, 11:53
SINCLAIR, que história! Inclusive, você escreve muito bem! Me identifiquei com vários aspectos do que você escreveu, principalmente quanto a questão de que sexo casual pode ter o mesmo efeito da P. Tenho evitado e quero levar o experimento no modo Hard até pelo menos os 90 dias. No mais, desejo força pra todos nós. Esse fórum é um local que me ajuda muito. Nao deixa de escrever aqui pois, penso eu, sempre algo que compartilhamos pode vir a salvar o reboot de alguém.

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Emil Sinclair
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Diário de Sinclair Empty Re: Diário de Sinclair

22/5/2017, 15:41
Muito obrigado, Incógnito! Vou acompanhar os diários dos colegas aqui e tentar dividir o máximo de informações. Faz pouco tempo que voltei a olhar aqui o fórum, mas uma coisa que notei é que o nosso (dos homossexuais) está tendo bem menos acessos do que os outros... acho essa ferramenta muito importante para conseguirmos realizar o reboot, pois podemos trocar experiências e, sobretudo por pra fora os demônios que nos atormentam. Vou tentar ser o mais ativo possível por aqui.

Um grande abraço!
David Silva
David Silva
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22/5/2017, 18:05
Oi Emil

Li seu texto hoje. Confesso que já o tinha vista há alguns dias, mas pela extensão somente hoje pude ler com calma e inteiro, cada vírgula. O fato de a seção dos Homossexuais estar tão parada - também estou sentido isso - fico me perguntando se é porque a maioria completou o reboot ou porque a maioria recaiu e desistiu. Infelizmente, acho que a segunda opção. E por aí vemos o trabalho árduo que ainda temos que fazer na disseminação da informação sobre o que é este vício.

Não estou aqui para julgar, não estou aqui para condenar, só que li seu relato e vi um tanto de sofrimento nele. Diante disso queria te fazer algumas perguntas, mas só vou começar por uma e depois vou comentando mais: Você tem alguma religião? Se sim, qual? E como está a prática? Se não, por quê?

Só para adiantar o método que aqui usamos é científico, mas pergunto sobre religião devido a algumas peculiaridades do seu relato. Explico depois se não vou passar a carroça na frente dos bois.

Abraços.

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Recordes:
Primeiro reboot - 90 dias em 2015
Segundo reboot - 114 dias em 2020
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Início do meu diário:
1ª parte: https://www.comoparar.com/t206-reboot-de-david-silva
2ª parte: https://www.comoparar.com/t7812-reboot-de-david-silva?highlight=david+silva
(Porque ficou muito grande e foi separado pelo próprio fórum)

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Emil Sinclair
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Diário de Sinclair Empty Re: Diário de Sinclair

22/5/2017, 21:28
Boa noite, David.

Eu também acredito que é a segunda opção, infelizmente. Se você reparar também o número de recaídas aqui entre nós é muito maior e a média de dias abstêmios é bem menor. Acho digno de estudo isso, para os especialistas, claro. De qualquer forma, deixo uma matéria traduzida de The Huffington Post, que achei muito interessante para nossa reflexão: <>

Sim, tem muito sofrimento no relato porque é impossível chegar a algumas conclusões sobre nós mesmos sem nos emocionarmos. E respondendo à sua pergunta, hoje eu não tenho/ pratico nenhuma religião. O motivo: estou em busca de mim mesmo e isso é muito mais difícil do que um dia pude imaginar.

Há vários aspectos da minha vida que não tratei no meu relato porque senão iria virar uma novela (rs), mas como você pôde perceber, sempre fui muito precoce na vida pra quase tudo. Não foi diferente quanto à religiosidade. Já comecei a ler teu diário, ainda não acabei porque são muitas mensagens, mas vi que és espirita. Eu comecei na vida religiosa como protestante. Aos doze comecei a frequentar o espiritismo. Aos 15 desenvolvi a mediunidade e trabalhei com ela até os 19. Mas me afastei para "viver a vida". Fiquei muito tempo sem frequentar nenhum lugar, até que há dois anos comecei a frequentar um centro kardecista aqui perto de casa. Mas não estava me completando espiritualmente, entende? Neste não exerci atividades mediúnicas. Faço algumas tarefas evangélicas por meio desse centro até hoje, apesar de não frequentá-lo mais, o que me ajuda muito.

Há mais ou menos uns três meses decidi desfazer alguns preconceitos e fui num terreiro de candomblé, também aqui perto da minha casa. Estou gostando MUITO dos trabalhos de lá. Estou fazendo uma espécie de tratamento que consiste em fazer uma oferenda de arroz a Oxalá às sextas feiras. Essa experiência tem me ensinado muito não apenas sobre religião, mas sobre cultura, reverência, espiritualidade e meus próprios preconceitos.

Além disso sempre fui muito interessado em religiões em geral. Acho que Inexiste alguma com a qual não possamos aprender. Me considero simpatizante do espiritualismo, mas a minha espiritualidade é transcendente à qualquer religião, especificamente.

Mas fiquei curioso, por que a pergunta?
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