Desespero

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2/7/2018, 02:10
Olá a todos. Ingresso nesse fórum como "lobosolitário" tendo 30 anos. A escolha da alcunha vem a calhar porque denota uma ação de causa e efeito. Como um lobo faminto, tenho consumido de maneira voraz toda a pornografia que a internet pode me oferecer. Todavia, essa é uma caça depressiva, frustrante e principalmente, solitária.
    Fui apresentado à pornografia aos 13 anos e, desde então, tornei-me seu escravo. Cresci em uma família que dialogava pouco, com pais conservadores e emocionalmente distantes. Era uma criança inocente, tímida, isolada, aplicada nos estudos, subserviente, extremamente obediente aos pais e que aceitava tudo o que eles diziam. Na escola, tive o meu primeiro contato com a nudez feminina através de uma revista playboy que estava sendo compartilhada por meus colegas no banheiro. O meu segundo contato foi por ocasião de um trabalho escolar na casa de um amigo. Durante uma pausa para um lanche, ele colocou uma das fitas cassetes pornôs de seu pai para assistirmos. Estávamos sozinhos nos fundos da casa e não havia ninguém que pudesse nos interromper. O que para ele era algo rotineiro, para mim foi algo chocante, pois mesmo naquela idade eu não sabia o que era sexo. Eu ainda achava que os bebês eram uma sementinha que crescia dentro da barriga da mulher. Lembro de ter ficado enojado e ter dito para mim mesmo que nunca ia fazer aquilo. Pedi para ele interromper o filme com menos de 5 minutos, tamanha a ojeriza que senti. Passado algum tempo, escutei outros colegas comentando sobre o Cine Band Privê, uma sessão de filmes eróticos transmitido pela Band na madrugada de sábado para domingo. Eles descreviam vividamente as aventuras sexuais de Emanuelle e aquilo despertou minha curiosidade. Certa noite, resolvi que iria assistir. Esperei meus pais dormirem, liguei a televisão 15 polegadas que ficava em meu quarto e coloquei no mudo. A imagem era um pouco difusa, pois não tínhamos antena externa, mas mesmo assim era possível ver o que acontecia. Ao contrário do que aconteceu com o filme pornô, aquilo não me causou repúdio. O cenário, a linguagem corporal, a música, os atores, tornavam tudo aquilo hipnotizante e sensual. Foi a primeira vez que fiquei excitado. Aquilo tornou-se um ritual que eu seguia religiosamente todos os fins de semana. Com o tempo, veio a mastubação. E foi dessa maneira distorcida, confusa e estranhamente atraente que vim aprender o que era o sexo. Mal sabia eu o buraco negro em que estava me atirando. Se apenas minha mãe não fosse tão pudica e tivesse respondido uma simples pergunta...
      Até os meus 18 anos, eu alternei entre períodos de abstinência e compulsão. Ficava alguns meses sem assistir, e acabava voltando. Ficava acordado até altas horas esperando por filmes que tivessem alguma conotação erótica, uma cena que fosse. Meu calvário, assim como a maioria dos membros daqui, se iniciou silenciosamente com o advento da banda larga. A facilidade, acessibilidade, a rapidez nutria fartamente aquela compulsão doentia que sugava cada vez mais meu tempo e minhas energias. Selei de vez o meu destino quando contratei uma tv de canal fechado que ficava no meu quarto. Ficava de vigília até 2, 3 horas da madrugada sendo que tinha que levantar às 7 para trabalhar. Até então, os únicos incômodos reais eram o cansaço oriundo do sono deficiente e a minha consciência pesada por estar mentindo para minha família. Sempre fui um funcionário eficiente, nunca cheguei atrasado, sempre tive uma memória notável e um intelecto na média. Mas todos me diziam que eu tinha um defeito que apenas anos depois descobri ser consequência da exposição massiva a pornografia: procrastinação. Estava sempre adiando meus planos, nunca terminava o que começava e sempre abandonava meus projetos quando não tinha um retorno imediato. Nunca prestei vestibular, nunca concluí nenhum dos cursos profissionalizantes que comecei, nunca passei mais de dois meses na academia. Tudo sempre ficava para amanhã. Aos 23 anos resolvi sair da empresa em que trabalhava para me dedicar ao mundo dos concursos. E o padrão se repetia. Piorou, pois agora eu tinha todo o tempo livre. Fingia que estudava e chegava a ficar o dia inteiro vendo pornografia e me masturbando. Me inscrevia nos concursos, pagava a taxa e no dia da prova inventava alguma desculpa e faltava. "O próximo eu não vou deixar passar", eu pensava.  
    Em 2014, resolvi começar uma faculdade e adivinhem? Depois de 3 semestres, abandonei. Foi a primeira vez que notei que algo estava errado comigo. Não conseguia me concentrar nas aulas e tinha dificuldade em assimilar e reter o conteúdo. Aquilo me assustou, pois eu, que tive uma passagem "nerd" pela escola, sempre tive uma desempenho escolar destacado por aprender as coisas em uma velocidade acima da média. Cheguei a me consultar com um neurologista experiente que, inicialmente, me diagnosticou com déficit de atenção. Aquilo me causou enorme estranheza, pois lembro que era capaz de passar horas estudando matemática sem sentir fadiga, mesmo na adolescência. Depois de alguns exames, ele descartou a hipótese de Tdah e anunciou um novo diagnóstico: estafa mental. Eu me perguntei: "de quê, se eu não faço nada?" Sai de lá frustrado e continuei retornei ao meu marasmo. Nessa época, eu já trocava a noite pelo dia e dormia apenas 4 a 5 horas. Virava a noite assistindo vídeos pornográficos, com várias abas abertas, chegando a me masturbar até oito vezes seguidas. Meu pênis chegava a sangrar, mas eu não conseguia parar. Apresentava um semblante abatido, com olheiras profundas, pele opaca e uma postura prostrada. Não tinha amigos e não tinha qualquer interação com a minha família, que cada vez mais se impacientava com a minha eterna espera pelo "concurso ideal" que sempre era o próximo.
   Em 2016, comecei a ter lapsos de memória, confusão mental e ansiedade social. Não lembrava das senhas de cartão que eu usava desde os 18 anos. Esquecia onde tinha colocado objetos. Ia à cozinha com o intuito de beber água e ao chegar lá, simplesmente me perguntava o que estava fazendo ali. Meu discurso, que sempre tinha sido razoavelmente fluido e articulado, mostrava-se cada vez mais vacilante e entrecortado. Buscava pelas palavras e elas não vinham. Sentia-me desconectado da realidade. Cheguei a indagar da minha mãe sobre históricos de Alzheimer e Esclerose múltipla na família. Entrei em desespero ao pensar na possibilidade de estar ficando demente aos 28 anos de idade.
   O cerco começou a se fechar ainda em 2016 quando o dinheiro que juntei para bancar meus estudos como concurseiro começou a acabar. Eu já estava com quase 30 anos, não tinha um emprego, não tinha uma formação acadêmica, nem qualquer perspectiva futura. As cobranças dos meus pais se tornaram cada vez mais frenéticas, com razão.  Foi a primeira vez que reconheci a necessidade de abandonar a pornografia para dedicar tempo de qualidade aos estudos. Achei que seria uma transição simples. Ledo engano. Quando me vi incapaz de parar, busquei por embasamento científico sobre a pornografia, mas o material que encontrei era escasso por se tratar de um fênomeno recente que ainda não era unanimidade entre cientistas. Um dia esbarrei em uma entrevista com o neurocientista Gary Wilson e, o que ouvi, me deixou atônito. Quando vi a descrição dos efeitos sintomáticos apresentados pelos consumidores ávidos de pornografia, fiquei em choque. Eu era um viciado.
   Em 2017, ainda em busca de uma solução clínica para o meu vício, encontrei o ebook "Vício em pornografia: como parar"? e vibrei com as informações que encontrei ali. Resolvi tentar o reboot. Apaguei todos os meus arquivos e eliminei qualquer brecha que pudesse servir de gatilho para uma recaída. Instalei o bloqueador K9. Já nos primeiros dias comecei a ver mudanças. Foi uma luta hercúlea. Não imaginava o nível de dependência que a pornografia poderia causar. Experimentei todos os sintomas de abstinência, desde alterações de humor a sintomas físicos como náuseas e insônia. As mudanças continuavam a se acentuar cada vez mais. Comecei a reconhecer traços, ainda tímidos, do meu antigo eu. Estava mais disposto, mais funcional, mais enérgico. Conseguia manter uma conversa sem titubear. Concentração e memória apresentaram progressos significativos. Então, tive um forte desentendimento com meus pais e resolvi procurar alívio na fonte que me era mais familiar. Cometi um erro primário de não me desfazer da senha do bloqueador e tive uma recaída após 30 dias de abstinência. Seguiram-se outras, e outras e mais outras, reiniciando assim o ciclo vicioso corrosivo. Tentei mais duas vezes, mas o máximo que consegui foram 15 dias. Frustrado, retrocedi ao limbo.
   Hoje, estou aqui, tentando mais uma vez e fazendo algo que não fiz nas tentativas anteriores: compartilhando a minha experiência com vocês. Sei que essa é uma batalha que não se pode vencer sozinho. Por isso, peço que me ajudem com o que puderem: dicas, experiências, motivação, conselhos. Estou desesperado e no fundo do poço. Esta é a minha única chance de salvar a minha vida. Obrigado.
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Sempreemfrente
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2/7/2018, 07:57
Estamos junto. Recaí ontem, mas não podemos desistir de nós mesmos. Tente evitar PMO um dia de cada vez; parar para sempre é difícil. Um dia de cada vez é mais fácil. E não se Culpe. Deus sabe do nosso sofrimento, mas é um esforco concorrente: temos q fazer nosso esforço para q quando a vontade vier driblarmos nosso cérebro viciado. Evitando aos poucos as coisas se ajeitam.
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2/7/2018, 08:52
E aí meu amigo, como vai ????

Segue alguns conselhos :

- escreva sempre em seu diario, principalmente nos começo. Quando passamos por momentos de fissura esquecemos as consequencias da PMO e onde ela nos levou, e ao você reler o seu diario vc vera o seu progresso e te ajudará a se colocar nos trilhos.

- leia o diario dos colegas. Você verá muitos casos iguais aos seu, mais leves que os seus e mais graves que os seus. Você nao é o unico.

- Utilize bloqueadores. Coloque a senha toda separada, de forma que seja muito dificil de vc pegar. Te ajudara quando vc estiver na fissura.

- Nunca se culpe por ter caido. Coloque uma pedra em cima, veja onde foi seu erro e volte ao reboot.

- faca uma atividade fisica. Ajuda a aliviar a ansiedade.


Eu também cai varias vezes, caia e levantava, caia e levanta. Corrigi os meus erros e hoje estou aqui. Nao desista de vc, amigo.

torço por vc.


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2/7/2018, 09:20
Hey meu querido Logo! Ah, não!!! Você não está sozinho... Chegou aqui e agora já tem muita gente torcendo por você.

Temos quase a mesma idade e sei como isso faz a gente se frustrar. Me identifiquei com algumas passagens do seu relato, principalmente pelos episódios de falta de concentração e memória. É interessante como uma coisa liga-se a outra. Lembro que no mestrado eu passava um dia inteiro sentado lendo um livro, mas, com o tempo e o vício isso foi se perdendo. Agora estou tentando recomeçar e voltar a ser quem era.

Escreva, escreva, escreva! Coloque pra fora tudo, todos os momentos e dores. Tenho certeza que isso vai ajudar bastante na sua recuperação.

Desejo um ótimo recomeço meu querido.

Fraterno abraço

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MEU DIÁRIO: https://www.comoparar.com/t6035-santo-reboot

Renan Cristiano
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2/7/2018, 09:58
Lobosolitario escreveu:Olá a todos. Ingresso nesse fórum como "lobosolitário" tendo 30 anos. A escolha da alcunha vem a calhar porque denota uma ação de causa e efeito. Como um lobo faminto, tenho consumido de maneira voraz toda a pornografia que a internet pode me oferecer. Todavia, essa é uma caça depressiva, frustrante e principalmente, solitária.
    Fui apresentado à pornografia aos 13 anos e, desde então, tornei-me seu escravo. Cresci em uma família que dialogava pouco, com pais conservadores e emocionalmente distantes. Era uma criança inocente, tímida, isolada, aplicada nos estudos, subserviente, extremamente obediente aos pais e que aceitava tudo o que eles diziam. Na escola, tive o meu primeiro contato com a nudez feminina através de uma revista playboy que estava sendo compartilhada por meus colegas no banheiro. O meu segundo contato foi por ocasião de um trabalho escolar na casa de um amigo. Durante uma pausa para um lanche, ele colocou uma das fitas cassetes pornôs de seu pai para assistirmos. Estávamos sozinhos nos fundos da casa e não havia ninguém que pudesse nos interromper. O que para ele era algo rotineiro, para mim foi algo chocante, pois mesmo naquela idade eu não sabia o que era sexo. Eu ainda achava que os bebês eram uma sementinha que crescia dentro da barriga da mulher. Lembro de ter ficado enojado e ter dito para mim mesmo que nunca ia fazer aquilo. Pedi para ele interromper o filme com menos de 5 minutos, tamanha a ojeriza que senti. Passado algum tempo, escutei outros colegas comentando sobre o Cine Band Privê, uma sessão de filmes eróticos transmitido pela Band na madrugada de sábado para domingo. Eles descreviam vividamente as aventuras sexuais de Emanuelle e aquilo despertou minha curiosidade. Certa noite, resolvi que iria assistir. Esperei meus pais dormirem, liguei a televisão 15 polegadas que ficava em meu quarto e coloquei no mudo. A imagem era um pouco difusa, pois não tínhamos antena externa, mas mesmo assim era possível ver o que acontecia. Ao contrário do que aconteceu com o filme pornô, aquilo não me causou repúdio. O cenário, a linguagem corporal, a música, os atores, tornavam tudo aquilo hipnotizante e sensual. Foi a primeira vez que fiquei excitado. Aquilo tornou-se um ritual que eu seguia religiosamente todos os fins de semana. Com o tempo, veio a mastubação. E foi dessa maneira distorcida, confusa e estranhamente atraente que vim aprender o que era o sexo. Mal sabia eu o buraco negro em que estava me atirando. Se apenas minha mãe não fosse tão pudica e tivesse respondido uma simples pergunta...
      Até os meus 18 anos, eu alternei entre períodos de abstinência e compulsão. Ficava alguns meses sem assistir, e acabava voltando. Ficava acordado até altas horas esperando por filmes que tivessem alguma conotação erótica, uma cena que fosse. Meu calvário, assim como a maioria dos membros daqui, se iniciou silenciosamente com o advento da banda larga. A facilidade, acessibilidade, a rapidez nutria fartamente aquela compulsão doentia que sugava cada vez mais meu tempo e minhas energias. Selei de vez o meu destino quando contratei uma tv de canal fechado que ficava no meu quarto. Ficava de vigília até 2, 3 horas da madrugada sendo que tinha que levantar às 7 para trabalhar. Até então, os únicos incômodos reais eram o cansaço oriundo do sono deficiente e a minha consciência pesada por estar mentindo para minha família. Sempre fui um funcionário eficiente, nunca cheguei atrasado, sempre tive uma memória notável e um intelecto na média. Mas todos me diziam que eu tinha um defeito que apenas anos depois descobri ser consequência da exposição massiva a pornografia: procrastinação. Estava sempre adiando meus planos, nunca terminava o que começava e sempre abandonava meus projetos quando não tinha um retorno imediato. Nunca prestei vestibular, nunca concluí nenhum dos cursos profissionalizantes que comecei, nunca passei mais de dois meses na academia. Tudo sempre ficava para amanhã. Aos 23 anos resolvi sair da empresa em que trabalhava para me dedicar ao mundo dos concursos. E o padrão se repetia. Piorou, pois agora eu tinha todo o tempo livre. Fingia que estudava e chegava a ficar o dia inteiro vendo pornografia e me masturbando. Me inscrevia nos concursos, pagava a taxa e no dia da prova inventava alguma desculpa e faltava. "O próximo eu não vou deixar passar", eu pensava.  
    Em 2014, resolvi começar uma faculdade e adivinhem? Depois de 3 semestres, abandonei. Foi a primeira vez que notei que algo estava errado comigo. Não conseguia me concentrar nas aulas e tinha dificuldade em assimilar e reter o conteúdo. Aquilo me assustou, pois eu, que tive uma passagem "nerd" pela escola, sempre tive uma desempenho escolar destacado por aprender as coisas em uma velocidade acima da média. Cheguei a me consultar com um neurologista experiente que, inicialmente, me diagnosticou com déficit de atenção. Aquilo me causou enorme estranheza, pois lembro que era capaz de passar horas estudando matemática sem sentir fadiga, mesmo na adolescência. Depois de alguns exames, ele descartou a hipótese de Tdah e anunciou um novo diagnóstico: estafa mental. Eu me perguntei: "de quê, se eu não faço nada?" Sai de lá frustrado e continuei retornei ao meu marasmo. Nessa época, eu já trocava a noite pelo dia e dormia apenas 4 a 5 horas. Virava a noite assistindo vídeos pornográficos, com várias abas abertas, chegando a me masturbar até oito vezes seguidas. Meu pênis chegava a sangrar, mas eu não conseguia parar. Apresentava um semblante abatido, com olheiras profundas, pele opaca e uma postura prostrada. Não tinha amigos e não tinha qualquer interação com a minha família, que cada vez mais se impacientava com a minha eterna espera pelo "concurso ideal" que sempre era o próximo.
   Em 2016, comecei a ter lapsos de memória, confusão mental e ansiedade social. Não lembrava das senhas de cartão que eu usava desde os 18 anos. Esquecia onde tinha colocado objetos. Ia à cozinha com o intuito de beber água e ao chegar lá, simplesmente me perguntava o que estava fazendo ali. Meu discurso, que sempre tinha sido razoavelmente fluido e articulado, mostrava-se cada vez mais vacilante e entrecortado. Buscava pelas palavras e elas não vinham. Sentia-me desconectado da realidade. Cheguei a indagar da minha mãe sobre históricos de Alzheimer e Esclerose múltipla na família. Entrei em desespero ao pensar na possibilidade de estar ficando demente aos 28 anos de idade.
   O cerco começou a se fechar ainda em 2016 quando o dinheiro que juntei para bancar meus estudos como concurseiro começou a acabar. Eu já estava com quase 30 anos, não tinha um emprego, não tinha uma formação acadêmica, nem qualquer perspectiva futura. As cobranças dos meus pais se tornaram cada vez mais frenéticas, com razão.  Foi a primeira vez que reconheci a necessidade de abandonar a pornografia para dedicar tempo de qualidade aos estudos. Achei que seria uma transição simples. Ledo engano. Quando me vi incapaz de parar, busquei por embasamento científico sobre a pornografia, mas o material que encontrei era escasso por se tratar de um fênomeno recente que ainda não era unanimidade entre cientistas. Um dia esbarrei em uma entrevista com o neurocientista Gary Wilson e, o que ouvi, me deixou atônito. Quando vi a descrição dos efeitos sintomáticos apresentados pelos consumidores ávidos de pornografia, fiquei em choque. Eu era um viciado.
   Em 2017, ainda em busca de uma solução clínica para o meu vício, encontrei o ebook "Vício em pornografia: como parar"? e vibrei com as informações que encontrei ali. Resolvi tentar o reboot. Apaguei todos os meus arquivos e eliminei qualquer brecha que pudesse servir de gatilho para uma recaída. Instalei o bloqueador K9. Já nos primeiros dias comecei a ver mudanças. Foi uma luta hercúlea. Não imaginava o nível de dependência que a pornografia poderia causar. Experimentei todos os sintomas de abstinência, desde alterações de humor a sintomas físicos como náuseas e insônia. As mudanças continuavam a se acentuar cada vez mais. Comecei a reconhecer traços, ainda tímidos, do meu antigo eu. Estava mais disposto, mais funcional, mais enérgico. Conseguia manter uma conversa sem titubear. Concentração e memória apresentaram progressos significativos. Então, tive um forte desentendimento com meus pais e resolvi procurar alívio na fonte que me era mais familiar. Cometi um erro primário de não me desfazer da senha do bloqueador e tive uma recaída após 30 dias de abstinência. Seguiram-se outras, e outras e mais outras, reiniciando assim o ciclo vicioso corrosivo. Tentei mais duas vezes, mas o máximo que consegui foram 15 dias. Frustrado, retrocedi ao limbo.
   Hoje, estou aqui, tentando mais uma vez e fazendo algo que não fiz nas tentativas anteriores: compartilhando a minha experiência com vocês. Sei que essa é uma batalha que não se pode vencer sozinho. Por isso, peço que me ajudem com o que puderem: dicas, experiências, motivação, conselhos. Estou desesperado e no fundo do poço. Esta é a minha única chance de salvar a minha vida. Obrigado.

Hey amigão!
Todos aqui temos muitas coisas incomum, me identifiquei demais com a sua história e isso realmente acontece.
Eu tenho 31 anos e não é fácil lidar com tudo isso.
Mas estamos vencendo um dia de cada vez e Deus sabe o quanto não é fácil!
Mas vamos conseguir chegar lá!
Conte conosco, você não pode desistir!
Você tem duas escolhas quando cai, permanecer caído ou levantar-se, então, levanta e siga, estamos todos com você!

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Sayajin
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2/7/2018, 11:20
força amigo!!!
você não está sozinho nessa, acabei de me ingressar no fórum, e sua história é parecida com a minha, estou tentando o reboot, tive uma recaída ontem, e hoje recomeço.
vamos nos ajudar uns aos outros, no que precisar podem contar comigo.
abçs
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Lobosolitario
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2/7/2018, 13:01
Obrigado pela camaradagem e apoio. Estou no meu terceiro dia sem PMO e o encorajamento de todos vocês_ sempreemfrente, multilaser, santo, Renan Cristiano e filipedum_ injetou uma dose extra de ânimo. Não tenho absolutamente nenhum conhecido em que confie o suficiente para revelar o meu problema. Sinto-me muito envergonhado. Creio que dividir minha aflição com vocês pode vir a ser o diferencial para o meu êxito nesta batalha.Até o momento tem sido tranquilo, mas sei que costuma ser assim no começo. Os impulsos começam a dar o ar da graça por volta do dia 8. Preciso estar munido para quando isso acontecer e gostaria de tirar algumas dúvidas. Encontrei algumas inconsistências no K9 e percebi que ele compromete algumas funções do PC. O mesmo acontece com o Blok Free. Poderiam me indicar outro bloqueador que seja eficiente? Outra dúvida que tenho é sobre a senha. Tenho medo de o bloqueador barrar um site útil e não ter como liberar por não ter a senha. O que me aconselham a fazer? Tenho pensado em remover ou danificar a fechadura do meu quarto. Como tenho um pavor mórbido de ser descoberto, creio que isso poderá coibir uma eventual recaída. No mais, desejo sucesso a todos. Àqueles que já superaram que permaneçam firmes. Aos que ainda estão na peleja, força e bem-aventurança. Mais uma vez obrigado, amigos.
Renan Cristiano
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2/7/2018, 14:50
Lobosolitario escreveu:   Obrigado pela camaradagem e apoio. Estou no meu terceiro dia sem PMO e o encorajamento de todos vocês_ sempreemfrente, multilaser, santo, Renan Cristiano e filipedum_ injetou uma dose extra de ânimo. Não tenho absolutamente nenhum conhecido em que confie o suficiente para revelar o meu problema. Sinto-me muito envergonhado. Creio que dividir minha aflição com vocês pode vir a ser o diferencial para o meu êxito nesta batalha.Até o momento tem sido tranquilo, mas sei que costuma ser assim no começo. Os impulsos começam a dar o ar da graça por volta do dia 8. Preciso estar munido para quando isso acontecer e gostaria de tirar algumas dúvidas. Encontrei algumas inconsistências no K9 e percebi que ele compromete algumas funções do PC. O mesmo acontece com o Blok Free. Poderiam me indicar outro bloqueador que seja eficiente? Outra dúvida que tenho é sobre a senha. Tenho medo de o bloqueador barrar um site útil e não ter como liberar por não ter a senha. O que me aconselham a fazer? Tenho pensado em remover ou danificar a fechadura do meu quarto. Como tenho um pavor mórbido de ser descoberto, creio que isso poderá coibir uma eventual recaída. No mais, desejo sucesso a todos. Àqueles que já superaram que permaneçam firmes. Aos que ainda estão na peleja, força e bem-aventurança. Mais uma vez obrigado, amigos.

Estamos aqui com você e você vai conseguir.
Em relação a bloqueadores eu não sei, DEPOIS DA UMA LIDA LÁ NO MEU FÓRUM, eu não uso bloqueadores, mas me desfiz das minhas redes sociais por um período, já que o meu problema também passou de assistir pornografia para conversar sobre e fantasiar via mensagens com outras pessoas. Como eu sou casado, eu abri o jogo e presto contas diariamente com a minha esposa, ela vê o meu telefone, minhas conversas, meus contatos, meus e-mails, estou transparente a tudo.
Bom, acredito que uma medida a se tomar é você ficar com a porta aberta, não "quebre" e ou "tire" a fechadura, deixe-a a aberta, preste contas do seu dia e que essa porta aberta seja um passo em direção a não mais retornar.

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2/7/2018, 22:01
Seu começo no vício se deu próximo a minha idade também, trace um objetivo ou um prêmio por conseguir ficar X tempo sem PMO no meu caso eu bem dizer abandonei todos os locais que eu mais gostava de sair fim de semana para conhecer novas mulheres e determinei que só voltaria a frequentar esse lugar quando alcançasse 3 meses, hoje estou há 3 meses e já tendo a minha permissão para comigo mesmo poder sair mas ainda não me sinto confiante suficientemente para dar prosseguimento a um relacionamento com alguma mulher que venha conhecer e vou prolongar para mais 1 mês ou até me sentir com um nível de confiança bom... dai retomo.

Eu não curto conhecer mulheres por internet acho a maioria dos casos fria, há muitos anos atrás frequentava chat para conhecer mulheres mas nunca vi como uma forma válida pra mim.

Como cortei esse local onde eu frequentava da minha vida ando atualmente completamente parado de relacionamento com qualquer mulher fazem uns 8 meses, as que eu conheci no passado deletei tudo da minha vida pois eram relacionamentos que cheguei a conclusão nunca dariam em nada, e a melhor forma de prosseguir adiante embora as vezes dolorosa seja esquecer todo o passado, cortar relacionamentos que você sabe que são mera ilusão no meu caso muitos embora eu tenha saído com bastante mulheres nos últimos anos, mas vida nova requer uma atitude nova e um comportamento novo e é isso que estou reconstruindo, e embora esse período solitário não seja bom é necessário para o renascimento do meu verdadeiro eu ofuscado por quase 17 anos de forma ininterrupta.

Se outros conseguiram vencer esse vício destrutivo todos nós podemos, trace um objetivo algo que te dê uma motivação extra para fazer você lutar pelo desejo de se livrar da PMO. Essa é minha dica além é claro de você absorver tudo aquilo que é tratado aqui por meio dos estudos científicos.

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Que Deus esteja conosco. A luta continua.

Desespero S%C3%A3o_Jorge
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2/7/2018, 22:31
Você não está só. Acompanhando aqui a luta.

Vlw
Abraço.
Guarani
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5/7/2018, 00:49
Lendo seu diário vi parte dela ser igualzinha a de muitos, vou acompanhar ele, estamos todos na luta!
Sobre o bloqueador use o Qustodio em https://family.qustodio.com/ melhor que existe para celular e pc! Abraços

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Lobosolitario
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9/7/2018, 18:41
Olá, companheiros. Passaram-se alguns dias desde que postei minha última mensagem. Gostaria de agradecer as mensagens de apoio de Renan Cristiano, The King, Guarani e The Survivor. Minha via sacra está apenas começando, mas saber que não estou sozinho torna o meu julgo bem menos pesado. Esses primeiros dias foram bem tranquilos para mim. O episódio que mais se assemelha a uma crise de abstinência que posso relatar foi o sonho erótico que tive ontem. Fora isso, tem sido menos difícil que das outras vezes. Estou no décimo dia do meu reboot e estou satisfeito com esse pequeno feixe de vitória. Me sinto otimista, mas não excessivamente autoconfiante, pois sei que tenho uma luta árdua pela frente. Aposentei o meu velho notebook(o qual usava quase que exclusivamente para assistir pornografia) e uso apenas o PC. Tinha todo um ritual para as minhas longas "sessões privês": deitava na cama, com o notebook a minha frente, e com uma mão controlava as atividades do computador e com a outra me masturbava. Nunca tive vontade de fazer isso sentado. Não é a mesma coisa. Não sei o por quê. Por via das dúvidas, instalei o bloqueador nos dois computadores. Outra providência que tomei, foi sabotar a fechadura do meu quarto. Assim, em um momento de impulsos, serei obrigado a me conter para não ser apanhado. Sei que parece uma medida extrema, mas as circunstâncias também são extremas. O que é uma fechadura comparada a ter de volta minha paz mental, minha consciência limpa e minha jovialidade de volta? É um preço irrisório a se pagar. Preciso me antecipar às crises de abstinência que são implacáveis e costumam anular qualquer racionalidade e bom senso. Não posso dar brecha para deslizes.
Nesses dez dias, tenho notado progressos pequenos. Estou mais bem-humorado, mais funcional e mais paciente. Meu raciocínio e memória ainda não são nem sombra do que um dia foram, mas não sinto mais aquela nebulosidade na minha mente. Meu sono piorou um pouco, mas creio que é devido à ansiedade e tensão. No geral, tenho me sentido muito bem. Desejo o mesmo êxito a todos vocês.
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Serge
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9/7/2018, 22:51
Força ai meu camarada. Estarei lhe acompanhando. Eu consegui algum progresso, não vejo mais pornografia, mas me sinto preso a masturbação. Coloque na sua cabeça que pornografia não é mais uma opção, lembre-se sempre dos males que ela irá lhe trazer e ao longo dos dias sem ela, você terá mais motivação para continuar sem acessar. Estamos juntos na batalha!

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RIOT
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10/7/2018, 09:45
Olá Lobosolitario tudo bom?
Que bom que já está conseguindo contornar a situação.
É nesta pegada mesmo o Reboot, criar dificuldades para a PMO o máximo que puder.

Não se apegue demais aos desejos desse mundo. Trabalhe em mais ser do que ter.
Não se compare a ninguém.
Creia no invisível (isso é fé).
Não esqueça que somos pura consciência, não mente.

Grande abraço.

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Meu diário: https://www.comoparar.com/t5783-diario-riot

Último reboot: Em Hard Mode 110 dias.
Reboot atual: Mais de 350 dias.
História de sucesso: 365 Dias (03/12/2018  (1 ano de reboot))
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